Larry Summers, ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos e renomado economista, anunciou que deixará o cargo de professor titular da Universidade de Harvard ao fim do ano letivo.
A decisão ocorre em meio ao crescente escrutínio sobre sua relação com Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais.
Em comunicado, Summers afirmou:
“Tomei a difícil decisão de me aposentar da minha cátedra em Harvard ao final deste ano letivo. Serei eternamente grato aos milhares de alunos e colegas que tive o privilégio de ensinar e com quem trabalhei desde que cheguei à universidade como estudante de pós-graduação, há 50 anos.”
Ele acrescentou que, livre de responsabilidades formais, pretende se dedicar à pesquisa e à análise de questões econômicas globais.
Além da cátedra, Summers renunciou ao cargo de codiretor do Centro Mossavar-Rahmani para Negócios e Governo, segundo confirmou Jason Newton, porta-voz da instituição.
Relação com Epstein
A ligação entre Summers e Epstein já era conhecida, mas documentos divulgados pelo Departamento de Justiça revelaram que os dois mantinham contato mais próximo do que se sabia.
Summers não foi acusado de envolvimento nos crimes de Epstein. Os registros mostram que eles se corresponderam até julho de 2019, um dia antes da prisão de Epstein por tráfico sexual de menores.
O economista está afastado das aulas desde novembro, enquanto Harvard investiga vínculos de docentes com o ex-financista, que morreu sob custódia federal no mesmo ano.
Em novembro, após a divulgação de milhares de documentos pelo Comitê de Supervisão da Câmara, Summers reconheceu publicamente que errou ao manter contato com Epstein:
“Estou profundamente envergonhado das minhas ações e reconheço a dor que elas causaram. Assumo total responsabilidade pela minha decisão equivocada de continuar me comunicando com o Sr. Epstein.”
Pressão sobre Harvard
A revelação dos e-mails provocou forte reação dentro da universidade. Professores e estudantes criticaram a correspondência de Summers com Epstein.
A senadora democrata Elizabeth Warren, ex-professora de Harvard, defendeu que o economista não deveria ocupar posições de influência:
“Se ele teve tão pouca capacidade de se distanciar de Jeffrey Epstein, então não pode ser considerado confiável para aconselhar políticos ou lecionar para estudantes.”
Summers presidiu Harvard entre 2001 e 2006 e, após deixar o cargo, recebeu o título de “Professor Universitário”, a mais alta distinção acadêmica da instituição. Sua gestão foi marcada por controvérsias, incluindo declarações sobre mulheres na ciência que geraram forte reação e levaram à sua renúncia em 2006.
A saída de Summers encerra uma trajetória de quase cinco décadas na universidade, onde iniciou sua carreira acadêmica e construiu parte de sua influência política e intelectual.


