O presidente Donald Trump levantou suspeitas sobre uma possível colaboração militar entre o Kremlin e o regime iraniano ao declarar que a Rússia pode estar fornecendo informações sobre a localização de tropas americanas ao Irã. A fala ocorre em um momento contraditório, no qual Trump defende a suspensão de sanções contra a energia russa e descarta publicamente a ajuda tecnológica oferecida pela Ucrânia para interceptar drones em conflitos no Oriente Médio.
Questionado sobre sua decisão de suspender temporariamente certas sanções ao petróleo russo — uma medida tomada para conter a escalada dos preços globais de energia —, o presidente foi direto: “Eu quero ter petróleo para o mundo. Eu quero ter petróleo”. Ele afirmou que as restrições, aplicadas originalmente após a invasão da Ucrânia em 2022, serão retomadas “assim que a crise acabar”.
A postura de Trump em relação aos aliados e adversários tem gerado desconforto diplomático. No último sábado, ao ser confrontado com críticas de líderes estrangeiros sobre o alívio das sanções a Moscou, o presidente evitou responder diretamente e preferiu focar sua insatisfação em Volodymyr Zelensky. “Estou surpreso que Zelensky não queira fazer um acordo. Digam a ele para fazer um acordo, porque Putin está disposto”, afirmou Trump em entrevista por telefone, completando que “é muito mais difícil fechar um acordo com Zelensky”.
A tensão entre Washington e Kiev se estende ao campo da cooperação militar. Recentemente, Zelensky ofereceu o envio de especialistas e tecnologia de interceptação de drones para auxiliar as forças dos EUA no Oriente Médio, baseando-se na vasta experiência ucraniana contra os drones russos (de origem iraniana). Trump, contudo, rejeitou a oferta: “Não precisamos de ajuda. A última pessoa de quem precisamos de ajuda é Zelensky”.
Apesar da recusa pública, o presidente não confirmou se o governo americano já estaria utilizando, de forma discreta, o conhecimento técnico ucraniano. Enquanto isso, Zelensky confirmou em suas redes sociais que equipes ucranianas já foram enviadas a três países do Oriente Médio que solicitaram suporte contra ataques massivos.
O cenário tornou-se ainda mais nebuloso após um político iraniano declarar que a Ucrânia se tornou um “alvo legítimo” por sua disposição em ajudar os EUA. Ao ser instado a comentar se a Rússia estaria de fato entregando dados de inteligência ao Irã sobre alvos americanos, Trump manteve a ambiguidade: “A Rússia talvez esteja dando informações, talvez não esteja”. O presidente concluiu afirmando que os EUA fazem o mesmo, fornecendo “alguma informação” à Ucrânia enquanto tentam mediar a paz entre as duas nações.


