Moisés Rabinovici


Moisés Rabinovici*

Os “olhos e ouvidos” do Irã, o aiatolá Esmail Khatib, um dos homens mais bem-informados sobre os inimigos internos e externos da República Islâmica, morreu hoje, surpreendido por um bombardeio aéreo israelense.

Khatib, 65, chefiava o Ministério da Inteligência e Segurança desde 2021. No seminário de Qom, onde estudou nos anos 1970, foi discípulo dos aiatolás Khomeini e Khamenei, os dois últimos líderes supremos do Irã. Recebeu o título clerical de hojjat ol-eslam — “prova do Islã”.

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O presidente Masoud Pezeshkian lamentou o que chamou de “assassinato covarde” — o terceiro de um alto oficial iraniano em dois dias, após a morte de Ali Larijani e do comandante da força paramilitar Basij.

O ministro da Inteligência do Irã, Esmail Khatib, que foi morto durante a madrugada. (Reprodução)

Khatib tinha raízes profundas no Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica. À frente do ministério, comandava a repressão interna e a expansão das operações de espionagem iranianas no exterior. Prisioneiros sob sua autoridade denunciaram confinamento prolongado em solitária, privação de sono, tortura psicológica e ameaças a familiares durante interrogatórios.

Os Estados Unidos o sancionaram por abusos de direitos humanos, incluindo a repressão a manifestantes e operações cibernéticas.

A morte da curda-iraniana Mahsa Amini, 22, tornou-se o caso mais emblemático de seu período no poder. Detida pela polícia da moralidade por uso considerado inadequado do véu, ela morreu sob custódia em setembro de 2022. O episódio desencadeou protestos nacionais e ganhou repercussão internacional, transformando-a em símbolo da resistência feminina no Irã.

Restam poucos líderes de primeira linha no regime, entre eles o líder supremo Mojtaba Khamenei, o presidente Pezeshkian, o chanceler Abbas Araghchi e o vice-presidente Mohammad Reza Aref, que sobreviveu recentemente a um atentado atribuído a Israel

*Moisés Rabinovici é jornalista brasileiro com carreira marcada por atuação internacional e inovação digital. Como correspondente de imprensa, atuou em Israel, Europa e Estados Unidos.