O presidente Trump adiou por cinco dias o ultimato para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz — sob pena de sofrer um apagão elétrico total — alegando que há negociações em curso para “uma resolução completa das nossas hostilidades no Oriente Médio”.
A agência de notícias iraniana semioficial Tasnim, citando fontes anônimas do governo, contestou Trump. Segundo ela, o presidente americano “recuou” após o Irã ameaçar atacar usinas de dessalinização de água do mar de países vizinhos no Golfo Pérsico.
Teerã nega que haja negociações com os Estados Unidos. Antes do adiamento do ultimato, o Departamento do Tesouro, em Washington, informou que os custos dos empréstimos do governo superaram 4,40% pela primeira vez neste ano, aproximando-se do limite de 4,5%.
Com a reviravolta anunciada por Trump, o preço do petróleo caiu para 96 dólares o barril, mas voltou a subir para 100 dólares após o desmentido iraniano sobre a existência de negociações para o fim da guerra.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã comentou o anúncio de Trump: “Sim, houve iniciativas de países da região para reduzir as tensões. Nossa resposta a todas elas é clara: não fomos nós que iniciamos esta guerra, e esses apelos devem ser dirigidos a Washington”.
Quando o novo prazo terminar, na sexta-feira, outros 4.500 fuzileiros navais americanos terão chegado à região. Convocados a partir da Ásia, eles poderão ser empregados em operações terrestres — até agora inexistentes. A ilha de Kharg, a 16 quilômetros da costa iraniana, onde se concentra cerca de 90% do petróleo do país, surge como primeiro alvo potencial. Os Estados Unidos a ocupariam e só a devolveriam após a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde escoa a maior parte do petróleo do Golfo para o mundo.
Para Israel, porém, a guerra segue em duas frentes — iraniana e libanesa. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou hoje, na
Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Parlamento, que pretende levar o Irã “a lugares onde nunca esteve”. Na sua avaliação, Jerusalém está em vantagem sobre Teerã.
Em conversa gravada com o deputado Boaz Bismuth, presidente da comissão, Netanyahu acrescentou: “Ouvi dizer que os iranianos querem encerrar o assunto… não deve haver um mau acordo [com eles]”.
*Moisés Rabinovici é jornalista brasileiro com carreira marcada por atuação internacional e inovação digital. Como correspondente de imprensa, atuou em Israel, Europa e Estados Unidos.


