Germano Oliveira*
BRASIL EM FOCO
À medida que os partidos começam a formar chapas para a disputa das eleições presidenciais e para os governos estaduais deste ano, os coordenadores das campanhas, inclusive da esquerda (PT), já iniciaram um movimento para atrair coligações com partidos de centro-direita ou da direita pura.
Lula, por exemplo, que tem como vice o ministro do Desenvolvimento Econômico, Geraldo Alckmin, está em processo de fritura do ex-governador paulista dentro do PT, sobretudo por parte do próprio presidente da República, que pensa seriamente em substituir o ex-tucano e atual líder nacional do PSB por algum outro candidato. Fala-se até em alguém do MDB.
Alckmin ficou sentido com essa movimentação de Lula e da direção do PT, à exceção de Edinho Silva, atual presidente nacional do partido.

Quando lançou a pré-candidatura de Haddad a governador de São Paulo, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, na semana passada, o presidente chegou a sugerir que o ex-ministro da Fazenda conversasse com Alckmin para ver onde ele poderia ajudar melhor o PT a vencer as eleições deste ano.
Alckmin balança
O presidente, que ainda não decidiu descartar Alckmin, pensa em lançá-lo para o Senado por São Paulo, mas o ex-governador paulista pelo PSDB não deseja nem admitir essa hipótese. Ele já disse que ou se candidata a vice na chapa da reeleição de Lula, ou pendura as chuteiras e vai para casa.
Lula, na verdade, pediu a Haddad que converse com o ex-tucano para ver de que forma ele ajudaria melhor na campanha nacional do PT.
Uma candidatura ao Senado até poderia ajudar mais a candidatura presidencial do petista, mas isso não está acontecendo.
Quem já decidiu ser a candidata lulista ao Senado por São Paulo é a ex-ministra Simone Tebet (Planejamento). Ela está saindo do MDB para se filiar ao PSB e também mudando o domicílio eleitoral de Campo Grande (MS) para São Paulo. Como Alckmin não topa a outra vaga, ela poderá disputar com o ministro Márcio França (Empreendedorismo), que tem entrada no agronegócio e no empresariado paulista.
Haddad e a direita
O ex-ministro Haddad, que vai disputar o governo paulista contra Tarcísio de Freitas (Republicanos/PL), está em uma temporada de caça para atrair um nome da direita/centro-direita que tenha força no interior de São Paulo e possa ser seu vice.
O PT pensa no usineiro Maurílio Biaggi Filho, ex-presidente da Agrishow e fazendeiro com grande influência no interior do estado, para brigar com o governador bolsonarista num terreno que ele domina. Tarcísio vem liderando as pesquisas para governador, sobretudo pelo grande apoio que tem nas cidades do interior. Lá, Haddad é fraco e não goza de prestígio.

Outro fazendeiro que o ex-ministro da Fazenda pensa em atrair é o ex-ministro Roberto Rodrigues (Agricultura). Todos eles são muito prestigiados pela direita e abrem portas no agronegócio do interior, que comanda a política por lá. Seria uma novidade no PT. Pode até ser positivo para o partido, que nunca ganhou uma eleição para o governo de São Paulo. De lambuja, Lula ganha mais votos no estado. Se vencerá o pleito em outubro vai depender da água que ainda vai passar por baixo da ponte.
*Germano Oliveira é diretor do BRASIL CONFIDENCIAL.


