Moisés Rabinovici*
Milhões de israelenses celebraram o primeiro dia do Pessach, a páscoa judaica, em abrigos antiaéreos. O Irã e o Hezbollah mostraram que os judeus libertados da escravidão no Egito, há 3.472 anos, são hoje reféns de mísseis balísticos, drones e foguetes.
As sirenes soaram continuamente em Israel. O bombardeio já era esperado pelos serviços de segurança e emergência, que estavam em alerta máximo. Dez mísseis balísticos iranianos foram disparados contra a região central e, minutos depois, outros seis ao norte. O Hezbollah atacou simultaneamente a Galileia e as Colinas do Golã com foguetes.
O porta-voz militar israelense informou que a maioria dos mísseis foi interceptada e que alguns atingiram áreas abertas. Fragmentos de dois deles acertaram casas, carros e um playground em Petah Tikva. Não houve notícias de vítimas. Muitos foguetes do Hezbollah completaram sua trajetória sem atingir cidades do norte de Israel.

O primeiro dia do Pessach é celebrado à mesa, com o “seder”, jantar que rememora o êxodo do Egito. Foi esse o principal alvo do ataque conjunto do Irã e do Hezbollah. As corridas aos bunkers mostram que o objetivo foi alcançado.
A população foi advertida de que a defesa contra mísseis “não é hermética”, afirmou o general Effie Defrin, porta-voz militar. Ainda assim, o ataque do Pessach indica que o Irã já não é capaz de lançar barragens de até 90 mísseis, como no início da guerra. Nas duas últimas semanas, o máximo ficou entre 10 e 15 por dia.
Na véspera do Pessach, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que o Irã já não representava uma ameaça existencial a Israel. Depois do “seder”, porém, caças israelenses voltaram a bombardear alvos iranianos — cerca de 400 nos últimos dois dias.
Em Jerusalém, o Muro das Lamentações e a mesquita de Al Aqsa permaneceram desertos, fechados aos fiéis. Apenas cristãos obtiveram permissão para as cerimônias da Semana Santa no Santo Sepulcro e ao longo da Via Dolorosa, após reunião entre o Patriarca Latino, cardeal Pierbattista Pizzaballa, e autoridades policiais. Durante a guerra, fragmentos de mísseis iranianos chegaram a poucos metros dos lugares sagrados das três religiões monoteístas.
*Moisés Rabinovici é jornalista brasileiro com carreira marcada por atuação internacional e inovação digital. Como correspondente de imprensa, atuou em Israel, Europa e Estados Unidos.





