André Luiz Petraglia


André Luiz Petraglia*

A semiótica é a ciência que estuda o significado de imagens e palavras. Muitos pensadores entre os séculos XIX e XX contribuíram para seu desenvolvimento, entre eles o filósofo e linguista norte-americano Charles Sanders Peirce. Segundo Peirce, uma palavra ou uma imagem são elementos, são sinais que recebem o nome de signo e sua interpretação envolve três níveis distintos e subsequentes: o ícone, o índice e o símbolo. Essas três palavras, de certa forma, são corriqueiras em nosso vocabulário, mas vamos compreender um pouco cada uma delas no universo da semiótica.

Costumamos chamar de ícones as pessoas ou produtos que são referências em suas áreas de atuação, o que está correto, pois o ícone é o objeto em si, a origem, o primeiro a se destacar, como Albert Einstein para a física, Elvis Presley e os Beatles para o Rock, Coca-Cola para os refrigerantes ou Sucrilhos para os cereais matinais. Quando vemos imagens, desenhos ou fotografias desses ícones, ouvimos suas vozes, olhamos para suas embalagens, vídeos, entrevistas, shows ou comerciais de TV, estamos recebendo indícios de que esses ícones existem ou existiram, e chamamos esses indícios de índices.

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Quando penduramos em nosso quarto um poster ou usamos uma camiseta com uma imagem que se repete constantemente como a foto de Elvis ou Marilyn Monroe eternizadas pelo artista da Pop Art, Andy Warhol, ou vemos o tigre Tony nas embalagens dos Sucrilhos ou o logotipo dos Beatles ou ainda a marca ou a garrafa da Coca-Cola que pouco se modificaram ao longo de um século, dizemos que estamos vendo seus símbolos, ou seja, imagens que não são o objeto em si, que são sinais de sua existência como os índices, mas que vão além por conta da sua constante repetição e por nos remetem a ele automaticamente, passando a representar o próprio objeto.

Desta forma, chamar o desenho da janelinha do Windows de ícone seria um equívoco, pois se trata de um símbolo que nos remete ao programa, este sim, considerado como ícone. Há pouco tempo, todos nós, o Brasil e o mundo perdemos Pelé, o nosso Rei do Futebol. Ele, como referência do futebol e dos esportes em geral, foi considerado o maior atleta do século XX e é reconhecido e reverenciado em todos os cantos do planeta. A grande maioria de nós nunca pode ter contato pessoal com ele, nunca tivemos acesso ao indivíduo, ao ícone Pelé.

Mas, sempre tivemos contato com os seus índices, os sinais de sua existência, suas entrevistas, suas partidas, seus dribles, seus gols, assim como seus símbolos, eternizados em imagens como a camisa 10 da seleção brasileira, o gol de bicicleta, o salto comemorativo no ar, sua assinatura em produtos diversos, entre tantas outras. Pelé, a pessoa, o original, o ícone maior do futebol mundial e, quiçá, interplanetário, partiu, mas os incontáveis sinais de sua existência continuarão vivos, registrando sua passagem pela Terra, eternizado como ícone, índice e símbolo que sempre foi e, provavelmente, sempre será.

*André Luiz Petraglia é escritor, palestrante e consultor de comunicação e design.