General Cláudia Gusmão, que é a primeira no Exército do Brasil. (Foto: Reprodução)


O Exército brasileiro rompeu uma barreira histórica ao promover, nesta quarta-feira (1º), a médica pediatra Cláudia Lima Gusmão Cacho, de 57 anos, ao posto de general de brigada.

É a primeira vez, em quase quatro séculos de história da Força, que uma mulher alcança o topo da hierarquia militar.

A oficial, natural do Recife, ingressou no Exército em 1996, quando as mulheres passaram a ser admitidas nos quadros permanentes.

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Desde então, construiu uma carreira de quase três décadas, marcada por funções de comando e atuação no Estado-Maior. “Foi o tempo necessário, desde a minha entrada até chegar hoje”, afirmou após a cerimônia em Brasília, na qual recebeu a espada e o bastão de comando, símbolos exclusivos dos generais da ativa.

A escolha de Cláudia foi aprovada em votação secreta pelo Alto Comando em fevereiro e oficializada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A cerimônia contou com a presença do ministro da Defesa, José Múcio, e do comandante do Exército, general Tomás Ribeiro Paiva. Segundo a instituição, a seleção para o generalato considera mérito profissional, desempenho em funções estratégicas e conclusão de cursos de altos estudos militares.

Cláudia assumirá a direção do Hospital Militar de Área de Brasília (HMAB). Casada com o general de divisão Jorge Augusto Ribeiro Cacho e mãe de duas filhas, ela iniciou sua trajetória como oficial temporária no 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Goiânia.

O chefe do Estado-Maior, general Francisco Humberto Montenegro Júnior, destacou o “significado histórico” da promoção. Para ele, a ascensão da médica representa “não apenas mérito pessoal inequívoco, mas também a maturidade de um Exército que reconhece seus talentos de forma justa”.

Questionada sobre o impacto de sua conquista, Cláudia afirmou que outras mulheres podem seguir o mesmo caminho: “Responsabilidade e competência não têm gênero. Hoje há inúmeras possibilidades de ingresso nas Forças Armadas. É preciso acreditar e se preparar”.

O comandante Tomás Paiva adiantou que a Força estuda ampliar a presença feminina em áreas de combate. Já o ministro José Múcio lembrou que, só em março, 1.467 mulheres ingressaram no serviço militar inicial. Em 2023, havia cerca de 13 mil mulheres no Exército, o equivalente a 6% do efetivo.