Edelberto Behs*
Ao participar de evento da direita dos Estados Unidos, em Dallas, no Texas, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República no Brasil (acentue-se o NO BRASIL), aproveitou para discursar, fazer campanha política e chamar o presidente Donald Trump a ser cabo eleitoral. Angariou pelo menos um voto: o do empresário Jason Miller, um dos principais conselheiros de Trump em estratégias políticas e de comunicação. Jason postou em seu perfil no X: “O nosso próximo presidente. Já ganhou!”
A euforia de Miller com O SEU candidato é compreensível. Flávio, senador do Brasil, destacou que o futuro do hemisfério ocidental passa pelo Brasil por conta do seu território, população, peso e, sobretudo, das reservas de minerais críticos, como terras raras, fundamentais para a indústria tecnológica e militar. Ou seja, se ele vencer o pleito eleitoral, os Estados Unidos terão acesso às reservas de minerais críticos em terras brasileiras.

O senador dos Estados Unidos do Brasil lembrou a relação entre Jair Bolsonaro e Donald Trump, mencionando que seu pai foi o aliado internacional mais leal do presidente republicano. Não só isso: no discurso, pediu que os estadunidenses acompanhem o processo eleitoral brasileiro, observem a liberdade de expressão e pressionem institucionalmente para garantir eleições “livres e justas”.
Nenhum dado, nenhum fato para corroborar que as eleições recentes no Brasil não tenham sido “livres e justas”. Ou será que ele tem algum exemplo de sua campanha, de sua relação com milícias, das rachadinhas…
Ele “convoca” Trump para cabo eleitoral, quando o presidente dos Estados Unidos é o responsável pelas dificuldades comerciais e econômicas, pelo aumento do custo de vida em decorrência de duas decisões que tomou e que respingaram no Brasil. A primeira foi a sobretaxa na importação de produtos brasileiros, o que exigiu uma enorme ginástica de negociadores brasileiros, entre eles o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para diminuir esse peso.
Pior que a sobretaxa é o fechamento do Estreito de Ormuz por forças iranianas, na guerra que Trump iniciou contra o governo dos aiatolás, o que empurrou o preço do barril de petróleo para além dos 100 dólares, afetando toda a economia mundial. A gente sabe por experiência: aumentou o preço do petróleo, subiu o óleo diesel, afetou as tarifas de transporte, tudo sobe — do pão na padaria ao gás de cozinha.
Responsável por essa situação? Donald Trump, com sua vontade de ser o rei do mundo. E esse “benfeitor” do Brasil está sendo chamado pelo candidato Flávio Bolsonaro a vir apoiá-lo no pleito de outubro. Flávio se apresenta, antes mesmo de ter sua candidatura confirmada, como um entreguista. É isso que brasileiras e brasileiros querem?
Só para lembrar: no final de semana, milhares de manifestantes foram às ruas em cidades dos Estados Unidos para criticar o governo Trump.
Indesejado lá, mas amado acá?
*Edelberto Behs é jornalista, coordenador do Curso de Jornalismo da Unisinos durante o período de 2003 a 2020. Foi editor assistente de Geral no Diário do Sul, de Porto Alegre, assessor de imprensa da IECLB, assessor de imprensa do Consulado Geral da República Federal da Alemanha, em Porto Alegre, e editor do serviço em português da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC).


