BRASIL EM FOCO
Germano Oliveira*

O presidente Lula está metendo os pés pelas mãos já há algum tempo, mas, ultimamente, parece estar no mundo da lua. Corre o risco de perder uma eleição que estava ganha em meados do ano passado – quando peitou Trump por causa dos tarifaços – e que hoje está mais nas mãos da direita dos Bolsonaro do que nas dele e do lulopetismo. As pesquisas começam a favorecer o senador Flávio, que, até o ano passado, era apenas um político da rachadinha e da loja de chocolates, no Rio de Janeiro, perdendo de lavada, dentro do próprio grupo, para o governador Tarcísio de Freitas. O filho 01 perdia até para a madrasta, que se odeiam.
Mas Lula, cometendo erros atrás de erros, tanto no campo administrativo como, sobretudo, no aspecto político-partidário – especialmente na relação com lideranças corrompidas do espúrio Congresso –, está colocando tudo a perder. Hoje, Flávio já está empatado com o presidente.
Em algumas pesquisas menos confiáveis, no entanto, o bolsonarista já passa o petista, com diferença de alguns pontinhos, mesmo que isso ocorra dentro da margem de erro. E este fato é extremamente grave. O País não pode permitir a volta da direita, que governou de 2019 a 2022 – e que fez uma série de malfeitos e outros crimes durante seu desgoverno, incluindo a tentativa de golpe.
Lula derrota o bolsonarismo

O presidente brasileiro, porém, não aproveitou a vantagem que obteve em junho/julho do ano passado, quando colocou o presidente americano na lona. Pressionado pelo governo brasileiro, com a ajuda de empresários americanos e de outros nacionais, como os irmãos Baptista, da J&F, Trump teve que voltar atrás em algumas tarifas. O petista nocauteou também a família Bolsonaro, que, enquanto o ex-metalúrgico crescia na avaliação popular, os irmãos Eduardo e Flávio faziam um jogo sujo de pedir a intervenção americana no Brasil, sugerindo que Trump mantivesse o tarifaço para produtos brasileiros.
Aliás, hoje, os irmãos Bolsonaro ainda propõem que os norte-americanos explorem até mesmo nossas terras raras e levem, na mão grande, nossos materiais preciosos (nióbio, por exemplo), mantendo viva a estratégia de pedir um novo golpe no Brasil, que, esperamos, seja refutado novamente.
Ou seja, Lula perdeu um pouco a narrativa que lhe era favorável e os irmãos defensores dos golpistas começaram a fazer valer seus argumentos encardidos, muito adotados durante a ditadura militar de 1964 e cujo discurso foi retomado por seu pai, o ex-capitão Jair Bolsonaro, em eventos registrados em 2022, mas que culminaram no 8 de janeiro de 2023.
Contudo, depois da derrota de Trump quanto às tarifas – grande derrota de Eduardo e Flávio –, Lula cometeu vários equívocos em relação ao americano. Por mais que politicamente estivesse do lado certo, o petista ficou a favor dos palestinos na guerra contra Israel (com o apoio do trumpismo) e, desta vez, está do lado dos iranianos na guerra dos EUA/Israel contra os aiatolás. E não sou eu quem diz isso. Basta ver as entrevistas de Lula e seus aliados.
Dançou a reunião na Casa Branca

Tudo isso enfureceu Trump. Depois do tarifaço, no final do ano, Lula se reuniu com Trump, que chegou a fazer elogios ao petista e o convidou para ir a uma reunião com ele na Casa Branca. O petista topou e também teceu loas ao presidente xerife do mundo. Iriam ter um encontro que voltaria a selar uma longa amizade entre as duas nações, que já dura décadas, embora os dois líderes façam de tudo para que a relação não dê certo.
Anteriormente, como disse o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, numa entrevista hoje na rádio CBN, o encontro na Casa Branca, para aparar arestas, seria em março. Hoje, porém, não há mais uma data para o encontro.
Ou seja, no português claro: essa reunião dançou. Não acontecerá agora e talvez não aconteça enquanto Trump estiver na Casa Branca. Disse que, apesar disso, vem falando com Marco Rubio, Secretário de Estado, sobre formas de restabelecer as relações entre eles. Mas Trump não se mostra aberto a isso. Hoje, desancou o pau no brasileiro. Até dizer que o PIX brasileiro está prejudicando os bancos americanos aqui instalados, ele disse. E falou mais: que o governo brasileiro aplica multas milionárias às Big Techs americanas que exploram o mercado da mídia social, entre outras acusações feitas ao governo Lula nesta quinta-feira, 2.
Nessa entrevista à CBN, Vieira estava tentando não vincular a guerra do Irã à piora do relacionamento do Planalto com a Casa Branca. Quando o radialista da emissora brasileira insistia em aprofundar esse tema, a ligação telefônica do ministro das Relações Exteriores com a CBN caiu sintomaticamente. E não retornou mais.
*Germano Oliveira é diretor do BRASIL CONFIDENCIAL.




