O governo federal avançou nas discussões sobre um novo programa de renegociação de dívidas voltado à população de baixa renda. Em reunião de cerca de três horas no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros da área econômica analisaram medidas para reduzir o endividamento das famílias brasileiras, em meio a um cenário recorde de comprometimento da renda.
Entre as propostas em estudo está a inclusão de débitos com atraso entre dois meses e um ano, abrangendo dívidas de cartão de crédito — especialmente do rotativo —, cheque especial e crédito pessoal. Uma das alternativas avaliadas é a liberação de recursos do FGTS para quitação de dívidas, medida que enfrenta resistência dentro do governo pelo risco de trabalhadores ficarem sem reserva em caso de demissão.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o programa poderá prever descontos expressivos. “Estamos trabalhando com a possibilidade de abatimentos de até 80% sobre o valor das dívidas. O saldo remanescente seria renegociado com juros mais baixos, com garantia do governo por meio do Fundo Garantidor de Operações (FGO)”, disse.
Público-alvo e alcance político
O foco principal são famílias com renda de até três salários mínimos. Também poderão ser contempladas pessoas que mantêm suas contas em dia, mas têm elevado comprometimento da renda, com a possibilidade de migração para linhas de crédito mais baratas.
Segundo integrantes da equipe econômica, a proposta busca ser mais simples do que o programa Desenrola, lançado em 2023. O governo tem dialogado com bancos, fintechs e operadoras de crédito para viabilizar o novo modelo. A expectativa é que o anúncio oficial ocorra nos próximos dias, embora ainda não haja data definida.
A iniciativa é tratada como prioridade por Lula, que tem enfatizado em reuniões internas que o endividamento das famílias compromete a popularidade do governo e será um tema central na campanha presidencial de 2026.
Cenário econômico
O debate acontece em meio a um quadro de endividamento recorde. Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostram que 80,2% das famílias brasileiras estão endividadas, o maior nível da série histórica. Deste total, 29,6% têm dívidas em atraso.
Além de Lula e Durigan, participaram da reunião o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros da Casa Civil, Trabalho, Planejamento e Gestão.


