O presidente da Rússia, Vladimir Putin, entrou em cena neste domingo (12) para tentar destravar o impasse diplomático entre Irã e Estados Unidos. Em conversa telefônica com o líder iraniano, Masoud Pezeshkian, Putin ofereceu formalmente a estrutura de Moscou para mediar um acordo de paz, após o colapso das negociações que ocorriam no Paquistão.
A ofensiva diplomática do Kremlin ocorre menos de 24 horas depois de a comitiva dos EUA, liderada pelo vice-presidente J.D. Vance, abandonar a mesa de negociações em Islamabad. Washington classificou como “insuficiente” a proposta iraniana sobre o controle do Estreito de Ormuz e a redução do enriquecimento de urânio.
O que aconteceu:
- Mediação Russa: Putin propôs a Pezeshkian a criação de um corredor diplomático direto em Moscou para evitar a retomada das hostilidades em larga escala.
- Impasse em Islamabad: As conversas mediadas pelo Paquistão, que duraram 21 horas, falharam no último sábado (11). O principal ponto de fricção é a exigência americana de inspeções irrestritas em instalações militares iranianas.
- Cessar-fogo em risco: Embora um armistício temporário de duas semanas tenha sido firmado em 8 de abril, analistas internacionais temem que a falta de um acordo político resulte em novos ataques na região a partir da próxima semana.
Alinhamento estratégico
Segundo nota oficial divulgada pelo Kremlin, Pezeshkian agradeceu o apoio russo e a ajuda humanitária enviada por Moscou durante os picos do conflito. Para o governo iraniano, a entrada da Rússia como mediadora é vista com bons olhos, já que Teerã considera o governo americano
“intransigente” nas negociações diretas.
Por outro lado, a Casa Branca ainda não se manifestou oficialmente sobre a oferta de Putin. Até o momento, a posição de Washington é de que qualquer acordo deve passar pelo desmonte de capacidades bélicas específicas do Irã, ponto que Teerã se recusa a aceitar.
Próximos passos
A expectativa agora é para o pronunciamento do Departamento de Estado americano, previsto para a manhã desta segunda-feira (13). Se os EUA aceitarem a mediação russa, uma nova cúpula poderá ser agendada para o final do mês em território neutro ou em Moscou. Caso contrário, o fim do cessar-fogo temporário pode colocar as forças militares de ambos os países em estado de alerta máximo novamente.



