Imagem divulgada pela polícia americana, com a foto de Ramagem após ter sido preso e seus dados. (Reprodução)


O governo brasileiro prepara às pressas um relatório com informações e documentos para tentar acelerar o processo de deportação do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), preso na segunda-feira por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos Estados Unidos. O ex-deputado está foragido do Brasil desde que foi condenado a 16 anos de prisão por participar de forma decisiva na tentativa frustrada de golpe de Estado com o grupo de Jair Bolsonaro.

O material será encaminhado ao Enforcement and Removal Operations (ERO), divisão da polícia americana responsável por prisões de estrangeiros em situação irregular.

A intenção das autoridades brasileiras é evitar que Ramagem seja colocado em liberdade e impedir a concessão de asilo político, já solicitado pelo ex-parlamentar.

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O relatório destacará que ele possui mandado de prisão em aberto no Brasil e representa risco de fuga.

Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão no julgamento da trama golpista de 2023.

Investigadores afirmam que, caso seja solto mediante fiança, o ICE não teria base legal para detê-lo novamente.

Registro da prisão

O Departamento Penitenciário de Orange County divulgou a primeira imagem oficial de Ramagem após sua detenção.

O registro foi incluído no banco de dados da Flórida e indica que ele está sob custódia por questões migratórias, sem acusações adicionais relacionadas ao período em que dirigiu a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Segundo o departamento, Ramagem não está na ala destinada à população carcerária geral e aparece com status de “em trânsito”, o que pode indicar transferência para outra unidade. O governo americano, no entanto, não confirmou essa informação.

A fuga e a entrada nos EUA

Documentos do Departamento de Segurança Interna (DHS) revelam que Ramagem entrou legalmente nos Estados Unidos, mas com visto de turista B2 expirado desde 10 de março, o que o torna sujeito à deportação. Ele deixou o Brasil pela fronteira de Roraima com a Guiana e embarcou para os EUA utilizando documentos falsos.

A Polícia Federal afirma que a família do garimpeiro Rodrigo Martins de Mello, conhecido como Rodrigo Cataratas, desempenhou papel central na fuga. Ele, a esposa e o filho teriam oferecido hospedagem em um condomínio de luxo e ajudado na obtenção de documentos falsos.

Dados do ICE mostram que, nos últimos cinco anos, 9.825 brasileiros foram detidos em operações migratórias. Apenas na área de responsabilidade do escritório de Miami, que inclui a Flórida, 783 brasileiros foram presos — entre eles Ramagem.

Homem de confiança do ex-presidente Jair Bolsonaro, Ramagem permanece em cela separada dos demais detentos em Orange County.

Um oficial de imigração deve entrevistá-lo nos próximos dias para definir os próximos passos do processo de deportação.