O chefe do comando militar central iraniano, general Ali Abdollahi, que ameaça bloqueios a rotas do Mar Vermelho. (Foto: Reprodução)


O Irã voltou a ameaçar nesta quarta-feira (15) o transporte marítimo no Mar Vermelho, ampliando o tom de confronto contra os Estados Unidos. O chefe do comando militar central iraniano, general Ali Abdollahi, declarou que, se Washington mantiver o bloqueio aos portos iranianos no Golfo Pérsico e “criar insegurança para os navios comerciais e petroleiros iranianos”, Teerã responderá com medidas para interromper o fluxo de embarcações em outras rotas estratégicas do Oriente Médio.

“As poderosas forças armadas da república islâmica não permitirão que quaisquer exportações ou importações continuem no Golfo Pérsico, no Mar de Omã e no Mar Vermelho”, afirmou Abdollahi em mensagem divulgada pela mídia estatal.

O alerta aumenta preocupações sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, passagem que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico. O estreito é considerado um ponto de estrangulamento vital para o comércio global de energia, por onde circula cerca de 10% do suprimento mundial de petróleo.

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O Irã já havia ameaçado em ocasiões anteriores bloquear o transporte marítimo na região, onde portos estratégicos da Arábia Saudita e de outros países dependem da segurança da rota.

Rebeldes houthis, apoiados por Teerã e que controlam parte significativa do território do Iêmen, já realizaram ataques contra navios comerciais no Mar Vermelho e poderiam intensificar ações caso recebam ordens diretas de seus aliados iranianos.

O regime iraniano acusa os Estados Unidos de violar o cessar-fogo ao bloquear portos no Golfo Pérsico. “Se o bloqueio dos EUA continuar, o Irã não permitirá que quaisquer exportações e importações prossigam nessas rotas”, reforçou Abdollahi.

Apesar das alegações de Washington de que o comércio marítimo iraniano foi “interrompido completamente”, dados de rastreamento mostram que algumas embarcações, incluindo petroleiros sob sanções, ainda transitam pelo Estreito de Ormuz.

A disputa evidencia a tentativa de ambos os países de demonstrar controle sobre rotas estratégicas, em meio ao impasse nas negociações de paz.