Um colar de ouro maciço, com a imagem de Pablo Escobar esculpida na joia e emoldurada dentro do mapa de São Paulo, tornou-se o símbolo mais marcante da megaoperação deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (15).
A peça foi encontrada na casa do funkeiro MC Ryan SP, preso na Riviera de São Lourenço, litoral paulista, e sintetiza a ostentação que permeia a investigação: um esquema bilionário de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão em transações ilegais.
A ação, batizada de Operação Narcofluxo, cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueio de bens em diversos estados.

Além de MC Ryan, foram presos o funkeiro MC Poze do Rodo, no Rio de Janeiro, e os influenciadores Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e Chrys Dias, que soma quase 15 milhões de seguidores.
Chrys Dias é um influenciador digital brasileiro com mais de 15 milhões de seguidores, conhecido por ostentar carros de luxo, mansões e rifas milionárias nas redes sociais.
Outros bens

Carros de luxo, relógios Rolex, armas, dinheiro em espécie e joias foram recolhidos, além de documentos e equipamentos eletrônicos que agora passam por análise.
Segundo a PF, o grupo utilizava empresas de fachada, laranjas e movimentações financeiras atípicas para ocultar a origem dos recursos ilícitos. A Justiça determinou o bloqueio imediato de contas e ativos, e novas fases da operação não estão descartadas.
O colar de Escobar, em particular, chamou atenção dos investigadores por seu valor simbólico.
Escobar, líder do Cartel de Medellín, foi responsável por controlar até 80% da cocaína que entrava nos Estados Unidos nos anos 1980.
Conhecido como o “rei da cocaína”, construiu um império criminoso avaliado em bilhões de dólares, sustentado pela política do “plata o plomo” — suborno ou morte.
Sua trajetória terminou em 1993, quando foi morto em Medellín durante uma operação policial.
Para os agentes, a joia encontrada na casa de MC Ryan não é apenas um item de ostentação, mas um indício da idolatria à figura de Escobar e da ligação cultural entre o universo da ostentação no funk e práticas criminosas de lavagem de dinheiro.
MC Ryan e MC Poze, dois dos nomes mais populares do funk nacional, agora enfrentam acusações de associação criminosa e lavagem de capitais.
A defesa de MC Ryan, representada pelo advogado Felipe Cassimiro Melo de Oliveira, afirmou em nota que todas as transações financeiras do artista são lícitas e devidamente tributadas, e que o processo corre sob sigilo. A defesa de MC Poze ainda não se manifestou.
A PF considera os bens apreendidos fundamentais para rastrear o fluxo de dinheiro e identificar ramificações do esquema. A análise do material recolhido deve revelar novas conexões e pode ampliar o número de investigados, consolidando a operação como uma das mais significativas contra crimes financeiros ligados ao universo da música e da influência digital no Brasil.




