O ator Wagner Moura, 49, foi escolhido pela revista norte-americana Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026.
O brasileiro estampa uma das capas da edição especial, divulgada nesta quarta-feira (15), consolidando sua projeção internacional após a indicação ao Oscar de melhor ator pelo filme O Agente Secreto.
Em perfil assinado pelo ator Jeremy Strong, da série Succession, Moura é descrito como “uma força política e humanitária”.
Strong afirma que o baiano “rompeu o teto do mundo” e que sua atuação conduz o público “ao coração da vida”, em território reservado a performances “transcendentes”.
A publicação ressalta o engajamento político do artista, que viveu sob o governo de Jair Bolsonaro entre 2019 e 2023.
“Moura entende que democracia e liberdade são coisas pelas quais precisamos lutar todos os dias”, escreve Strong. O texto cita ainda Robert De Niro: “Quando De Niro disse que fascistas deveriam temer a arte, ele estava falando de artistas como Moura. O tipo de artista de que precisamos mais do que nunca agora.”
Outro artigo da Time, assinado pela crítica Stephanie Zacharek, descreve o brasileiro como “um antídoto analógico em meio à era digital”. Ela destaca o estilo de vida fora dos padrões das celebridades atuais: Moura não usa redes sociais, ouve música em vinil e dirige um Fusca de 1959. “Há algo nele que remete à velha Hollywood, a ponto de parecer uma exceção entre a maioria dos atores contemporâneos”, afirma.
A revista também relembra a trajetória do ator em obras de forte conteúdo político, como Marighella, sua estreia como diretor, e O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e ambientado na ditadura militar brasileira. Para a publicação, Moura utiliza a arte como ferramenta de reflexão e mobilização social, sendo “uma força do político e do humano”.
Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, Moura encontrou na atuação uma forma de unir arte e política. “Aqueles anos de faculdade e os autores que leu foram reveladores para ajudá-lo a entender como arte e política se entrelaçam”, diz o texto.
A seleção da Time reúne nomes de diferentes áreas, como cultura, política e tecnologia, que devem influenciar os rumos globais nos próximos anos. Além de Moura, figuram na lista a atriz Zoe Saldaña, a comediante Nikki Glaser e o cantor Luke Combs.
Nascido em Salvador em 1976, Moura iniciou a carreira no teatro nos anos 1990 e ganhou projeção internacional com o papel do Capitão Nascimento em Tropa de Elite (2007). Em 2015, estrelou a série Narcos, da Netflix, interpretando Pablo Escobar. No cinema internacional, atuou em Elysium (2013), ao lado de Matt Damon e Jodie Foster, e em Guerra Civil (2024), dirigido por Alex Garland.
O reconhecimento da Time se soma a uma série de conquistas recentes. Em janeiro, Moura tornou-se o primeiro brasileiro a vencer o Globo de Ouro de melhor ator em filme de drama, por O Agente Secreto. Em março, foi indicado ao Oscar na mesma categoria, em uma das raras ocasiões em que um intérprete brasileiro concorreu ao prêmio.
Discreto em relação à vida pessoal, Moura vive desde 2001 com a fotógrafa Sandra Delgado, com quem tem três filhos. Fora das telas, também é vocalista da banda de rock “Sua Mãe”.
A presença de Wagner Moura na capa da Time reforça a relevância de sua trajetória artística e política. Mais do que um ator de sucesso, ele é apresentado como símbolo de resistência cultural e consciência democrática, capaz de dialogar com temas contemporâneos sensíveis e de projetar o Brasil no cenário internacional.




