O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles defendeu nesta quarta-feira (15) a prudência na condução da crise do Banco de Brasília (BRB) e afirmou que o Banco Central agiu corretamente ao evitar a liquidação imediata da instituição.
Após participar do evento do Grupo LIDE em Brasília, Meirelles destacou que o BRB enfrenta problemas de capitalização decorrentes da compra de créditos do Master, de Daniel Vorcaro, e que a prioridade hoje deve ser buscar recursos, tanto públicos quanto privados, para reforçar o capital da instituição.
“A alternativa normal de um banco que não consegue se capitalizar é a liquidação feita pelo Banco Central. Ela é traumática e deve ser usada em último caso, particularmente em um banco público”, disse.
O ex-ministro também saiu em defesa da gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central.
Segundo ele, não houve negligência na condução do caso do Banco Master. “Eu concordo com a posição defendida na Comissão de Inquérito no Congresso, quando se concluiu que não havia negligência na gestão do Roberto Campos Neto. Não existiam evidências para decretar liquidação anos atrás, portanto não há razão para culpá-lo”, afirmou.
Ao comparar o cenário atual com o período em que esteve no comando do Banco Central, entre 2003 e 2011, Meirelles ressaltou os resultados obtidos com a combinação de austeridade fiscal e monetária.
“Naquele período o Brasil cresceu, em média, 4% ao ano, gerou 11 milhões de empregos e 40 milhões de pessoas saíram da pobreza.
Isso só foi possível porque o Banco Central e o Ministério da Fazenda caminharam juntos na mesma direção”, disse.
Para ele, o país enfrenta hoje uma contradição entre política fiscal expansionista e política monetária contracionista. “O melhor programa social que existe é o emprego. Sacrificar a criação de empregos para gerar programas sociais não vale a pena. É necessário equilíbrio fiscal para que o país cresça”, afirmou.
Meirelles concluiu reforçando a necessidade de responsabilidade na gestão das contas públicas. “Não existe dinheiro do governo, existe dinheiro dos contribuintes. Cada um de nós paga impostos, mesmo indiretamente, e é por isso que o equilíbrio fiscal é fundamental”, disse.




