A operação Narcofluxo, deflagrada nesta quarta-feira, 15, levou à prisão temporária de 32 pessoas e ao cumprimento de 45 mandados de busca e apreensão em nove estados e no Distrito Federal. Outro investigado já estava detido, e agentes ainda tentam capturar suspeitos foragidos ou no exterior. O balanço foi divulgado pelo Ministério Público Federal.
A ação foi conduzida pelo Ministério Público Federal, por meio do Gaeco/SP (setor de combate ao crime organizado), em parceria com a Polícia Federal, e tem como objetivo desarticular a estrutura financeira de uma organização criminosa responsável por movimentações bilionárias ligadas à lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros ilícitos.
Estima-se que o grupo tenha movimentado mais de R$ 1,6 bilhão desde 2023, utilizando transações em espécie, transferências bancárias e criptoativos.
Estrutura da operação
Os mandados foram expedidos pela 5ª Vara Federal de Santos (SP). A Operação Narcofluxo é um desdobramento de operações anteriores — Narco Vela, Narco Bet e Narco Azimut 1 e 2 — que revelaram a atuação da rede criminosa. As investigações apontam que os criminosos movimentaram valores expressivos por meio de diferentes mecanismos financeiros.
Conexões com outros crimes
As apurações identificaram indícios de ligação da estrutura financeira com tráfico de drogas, estelionato digital e exploração de jogos de azar ilegais. O grupo foi descoberto a partir da operação Narco Vela, que investigou o uso de embarcações de pequeno porte para exportar entorpecentes à Europa. Desde então, o MPF já ofereceu 11 denúncias contra os envolvidos.
Organização complexa
Segundo os investigadores, trata-se de uma estrutura criminosa estável, com divisão de tarefas e atuação coordenada. Empresas de fachada, contas de passagem e estruturas empresariais aparentemente regulares eram utilizadas para dissimular a origem dos recursos. Foram identificadas práticas típicas de lavagem de dinheiro, como fracionamento de operações financeiras, triangulações comerciais e mescla de valores ilícitos com receitas formalmente declaradas.
Alcance nacional
Os mandados judiciais foram cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Distrito Federal. O objetivo das medidas cautelares é não apenas responsabilizar penalmente os investigados, mas também descapitalizar a organização criminosa, interrompendo o fluxo de recursos ilícitos e reduzindo sua capacidade operacional.
As investigações prosseguem com a análise do material apreendido e outras diligências em andamento. O MPF e a Polícia Federal pretendem aprofundar a apuração sobre os mecanismos de lavagem de capitais e ampliar a responsabilização dos envolvidos.



