A Subsecretária de Inclusão Produtiva e Empregabilidade, Mariana Rodrigues, durante entrevista ao BC TV


Por Germano Oliveira (SP) e Adriana Blak (RJ)

A política pública de inclusão produtiva em São Paulo ganha novos contornos com a consolidação da Plataforma Trampolim, iniciativa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

Criada para ser um ponto único de acesso às políticas de emprego e renda, a ferramenta digital já se tornou referência nos 645 municípios paulistas, reunindo oportunidades de trabalho, cursos de qualificação e soluções inovadoras para empresas e trabalhadores.

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Em entrevista ao BC TV, do Brasil Confidencial, a subsecretária Mariana Rodrigues destacou que o projeto nasceu da necessidade de integrar serviços dispersos em um ambiente digital acessível.

“O objetivo é facilitar a vida do cidadão, que passa a encontrar em um só lugar vagas de emprego, cursos gratuitos e até simuladores de entrevistas com inteligência artificial”, afirmou.

A ponte entre mercado e trabalhador

Segundo a secretária, o desafio é grande. Dados da Fundação Getulio Vargas mostram que sete em cada dez empresas brasileiras enfrentam dificuldades para contratar profissionais qualificados.

Nesse contexto, o Projeto Trampolim atua como elo entre oferta e demanda, reduzindo o descompasso que afeta tanto empregadores quanto candidatos.

A plataforma já registra resultados expressivos:

400 mil vagas captadas por ano em programas vinculados.
50 mil pessoas inseridas no mercado anualmente.
40 mil trabalhadores empregados diretamente via Trampolim.

Além de beneficiar trabalhadores, o sistema oferece vantagens às empresas, especialmente às de pequeno e médio porte.

O cadastro gratuito de vagas e o acesso a um banco amplo de candidatos reduzem custos de recrutamento que, em processos tradicionais, podem variar entre R$ 2 mil e R$ 20 mil.

Qualificação sob medida

Outro diferencial é a integração com programas como o Qualifica SP, que oferece cursos alinhados às demandas reais do mercado.

As formações abrangem desde habilidades técnicas — como operação de máquinas e programação — até competências comportamentais, como comunicação e trabalho em equipe, cada vez mais valorizadas pelos empregadores.

O papel dos municípios

De acordo com Mariana Rodrigues, as prefeituras desempenham papel essencial no ecossistema. Além de oferecerem atendimento presencial à população, utilizam os dados da plataforma para mapear necessidades locais de qualificação e emprego, ajustando políticas públicas às demandas regionais.

Impacto social e econômico

Para especialistas, a centralização dos serviços em uma única plataforma digital representa um avanço na democratização do acesso ao trabalho e à qualificação profissional. Ao reunir diferentes soluções em um só lugar, o Trampolim contribui não apenas para a empregabilidade, mas também para o desenvolvimento econômico regional e a melhoria da qualidade de vida da população.

Segundo a secretária, o projeto, que já se consolidou como política pública de alcance estadual, mostra como a tecnologia pode ser aplicada de forma estratégica para enfrentar desafios históricos do mercado de trabalho brasileiro.

“Ao conectar trabalhadores, empresas e governos locais, o Trampolim se posiciona como um instrumento de transformação social, capaz de ampliar oportunidades e reduzir desigualdades”, disse.

A seguir, leia alguns dos principais trechos da entrevista:

Germano Oliveira – Mariana, qual é o papel do portal Trampolim? Sabemos que ele conecta empresas à mão de obra qualificada, mas de que forma esse projeto contribui para fortalecer a empregabilidade, a qualificação profissional e o desenvolvimento nos mais de 500 municípios paulistas?

Mariana Rodrigues – Para apresentar essa estratégia, é fundamental destacar que ela está vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, liderada pelo secretário Jorge Lima, que tem como objetivo integrar todos os serviços relacionados à inclusão produtiva e à empregabilidade em um único ambiente, em uma única plataforma.

Por meio dessa ferramenta, a população pode acessar qualificação profissional gratuita oferecida pelo Estado, consultar vagas de emprego em todos os territórios — atualmente, mais de 645 municípios estão disponíveis na plataforma — e utilizar outras soluções importantes para o desenvolvimento profissional, como um simulador de entrevistas com inteligência artificial.

Do outro lado, as empresas também se beneficiam, podendo utilizar uma plataforma gratuita para cadastrar suas vagas e acessar dezenas ou até centenas de candidatos qualificados para suas oportunidades.

Para completar esse ecossistema, os municípios desempenham um papel essencial, levando atendimento — muitas vezes presencial — à população, apoiando o uso da plataforma digital e utilizando os dados do Trampolim para compreender demandas de empregabilidade e de qualificação profissional.

Assim, o objetivo do Governo do Estado com o Trampolim é reunir todos os esforços e políticas públicas em um único ambiente, facilitando o acesso da população e democratizando os serviços disponíveis.

Germano Oliveira – Mariana, segundo a Fundação Getúlio Vargas, 70% das empresas brasileiras enfrentam escassez de profissionais especializados. Para atender a essa demanda, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo disponibiliza a plataforma Trampolim, que, segundo dados recentes, já contribuiu para a inserção de cerca de 40 mil pessoas no mercado de trabalho. Que orientações você daria para quem está desempregado e precisa desenvolver novas habilidades? Como essa pessoa pode começar e se inserir nesse processo?

Mariana Rodrigues – Acho que a primeira dica que eu daria é: nos procurem no Trampolim. Certamente, lá teremos diversos serviços de apoio a esse processo de inserção no mercado de trabalho. E é sempre importante reforçar — ao longo da nossa conversa vamos repetir isso algumas vezes — que, por meio do site, as pessoas podem acessar todos os serviços disponíveis.

De forma bastante prática, o nosso papel enquanto Governo do Estado, por meio dessa política pública, é apoiar a construção de pontes entre as pessoas que estão em busca de uma colocação profissional e as empresas que, como você mencionou, têm diversas oportunidades em aberto.

Atuamos justamente para promover esse encontro qualificado entre profissionais e vagas de trabalho. Para quem está em busca de uma oportunidade, um bom ponto de partida é a qualificação profissional. Hoje, por meio do Qualifica SP — totalmente integrado ao Trampolim — há cursos gratuitos em diferentes modalidades, presenciais e remotas, alinhados às demandas reais do setor produtivo.

Em termos simples, isso significa oferecer formações que aumentem, de fato, as chances de inserção no mercado. Para isso, as qualificações são pensadas com base nas áreas que mais demandam profissionais, nas ferramentas mais utilizadas e nas competências mais valorizadas pelas empresas.

Assim, ao acessar o Trampolim, as pessoas encontram cursos e capacitações com alta aderência às necessidades do mercado, de forma totalmente gratuita. E é sempre importante destacar: tanto a qualificação quanto o uso da plataforma — seja para cadastro em vagas ou para empresas divulgarem oportunidades — não têm custo para o usuário.

Outra dica importante é analisar as vagas disponíveis na plataforma. Isso ajuda a entender quais competências técnicas e comportamentais estão sendo mais exigidas. Hoje, além das habilidades técnicas, o mercado valoriza muito as chamadas soft skills, como comunicação, trabalho em equipe e relacionamento interpessoal.

Portanto, vale observar quais são as exigências das vagas que mais se aproximam dos seus objetivos profissionais e buscar, dentro do próprio Trampolim, as qualificações que ajudem a desenvolver essas competências.

Em resumo, a principal orientação é: acessem http://www.trampolim.sp.gov.br, explorem as oportunidades de qualificação e utilizem a plataforma como uma aliada na construção do seu caminho profissional.

Adriana Blak – Mariana, o portal Trampolim oferece atualmente vagas para mais de 22 mil pessoas, com cerca de 43 mil trabalhadores inscritos e 1.260 empresas cadastradas. É possível mensurar quantas pessoas conseguem emprego mensalmente por meio da plataforma?

Mariana Rodrigues – Olha, podemos analisar esses dados de forma mais ampla, considerando toda a política de inclusão produtiva e empregabilidade e os serviços relacionados. Em média, ao longo do ano, nossos programas captam cerca de 400 mil vagas.

Também temos um volume bastante expressivo de pessoas que procuram esses serviços, com uma média de aproximadamente 50 mil pessoas inseridas no mercado de trabalho anualmente por meio dos nossos programas. Esses números demonstram a efetividade das políticas públicas, que ajudam concretamente a população a acessar o mercado de trabalho de forma mais qualificada.

Além da qualificação profissional, contamos com outras ferramentas de desenvolvimento, como o simulador de entrevistas com inteligência artificial. Sabemos que o processo seletivo pode gerar insegurança, especialmente na etapa da entrevista, que exige preparo e prática.

Por isso, disponibilizamos uma ferramenta que simula entrevistas com base na vaga desejada, analisa as respostas e orienta o candidato sobre pontos de melhoria, o que deve ser evitado e o que pode ser melhor explorado. Esse tipo de recurso contribui não apenas para o acesso ao emprego e à geração de renda, mas também para o desenvolvimento profissional contínuo.

Esse é o nosso objetivo enquanto Governo do Estado: apoiar a população no seu desenvolvimento econômico, que passa necessariamente pelo desenvolvimento profissional. Todas essas ferramentas contribuem, de diferentes formas, para apoiar as milhares de pessoas atendidas pelas políticas públicas de inclusão produtiva.

Adriana Blak – Mariana, o recrutamento é feito de forma digital, o que amplia e democratiza o acesso a talentos com diferentes níveis de formação, além de reduzir os custos das empresas no preenchimento de vagas. É possível estimar o custo médio de uma contratação por esse modelo e quanto esse sistema gera de economia para as empresas?

Mariana Rodrigues – Atendemos públicos distintos por meio do Trampolim e das políticas de inclusão produtiva. Existem estudos que indicam que um processo seletivo pode custar entre R$ 2 mil e R$ 20 mil para as empresas.

No caso das pequenas, médias e, principalmente, microempresas, muitas vezes não há uma estrutura formal de recrutamento e seleção. Ou seja, esse processo não é institucionalizado dentro da organização, o que pode aumentar ainda mais os desafios e custos envolvidos.

Por isso, disponibilizar uma ferramenta gratuita, que permite acesso em escala a milhares de candidatos cadastrados e dá visibilidade às vagas, é um apoio importante para empresas de todos os portes. O Trampolim facilita esse encontro entre candidatos e oportunidades de forma mais eficiente e acessível.

Durante o desenvolvimento da plataforma, também houve uma preocupação em melhorar o acesso à informação para quem busca emprego. Um exemplo disso é o mapa disponível no sistema, que permite ao candidato visualizar vagas próximas à sua residência — algo que impacta diretamente na qualidade de vida, no deslocamento e até no desenvolvimento regional.

Assim, além de oferecer uma solução gratuita, a plataforma contribui para tornar o processo de recrutamento mais ágil, qualificado e com maior alcance. Na prática, isso ajuda a reduzir custos e otimizar o preenchimento de vagas pelas empresas.

📺 A entrevista completa está disponível no canal BC TV: