Frigorífico expõe carne de burro para consumo humano na Argentina. (Reprodução)


A crise econômica argentina, marcada por inflação persistente e queda do poder de compra, abriu espaço para uma iniciativa inédita: a venda de carne de burro a 7.500 pesos o quilo (cerca de R$ 41,60) em um açougue da cidade de Trelew.

O produto, lançado pelo criador Julio Cittadini, esgotou-se em apenas três dias, revelando tanto a curiosidade dos consumidores quanto a necessidade de alternativas diante da escalada dos preços da carne bovina, suína e de frango.

O projeto Burros Patagones

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Cittadini, radicado em Punta Tombo, desenvolve há dois anos o projeto “Burros Patagones”. A ideia surgiu como resposta às condições adversas da pecuária na Patagônia, marcada por seca prolongada e pelo avanço de predadores como o puma. Segundo os primeiros compradores, a carne apresenta sabor semelhante ao da bovina e textura suave. Uma degustação pública foi organizada em Trelew para ampliar a aceitação do produto.

Reação social

  • Aceitação inicial: O primeiro lote, equivalente a oito meias reses, foi vendido em três dias.
  • Polêmica cultural: O consumo de carne de burro rompe tabus na Argentina, onde o animal é tradicionalmente visto como força de trabalho.
  • Expansão: A boa receptividade abre espaço para consolidar o produto no mercado regional.

Contexto econômico

A iniciativa ocorre em um cenário de inflação persistente. De acordo com dados oficiais do Instituto Nacional de Estadística y Censos (INDEC), a inflação de março de 2026 foi de 3,4%, acumulando 9,2% no primeiro trimestre e alcançando 32,6% no índice anual. O setor de alimentos e bebidas registrou alta de 25,6% no período, tornando a carne bovina um item de luxo para muitas famílias.

Indicadores recentes

  • Inflação mensal (março 2026): 3,4%
  • Inflação acumulada no trimestre: 9,2%
  • Inflação interanual: 32,6%
  • Alimentos e bebidas: +25,6%
  • Desemprego (4º trimestre de 2025): 7,5%