Monique Medeiros, que se apresentou na delegacia. (Reprodução: TV)


A saga judicial de Monique Medeiros teve mais um capítulo nesta segunda-feira (20): cusada pela morte de seu filho de quatro anos, Henry Borel, a professora apresentou-se à 34ª Delegacia de Polícia (Bangu), no Rio de Janeiro, em cumprimento à ordem de prisão preventiva restabelecida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O peso da chancela judicial

A capitulação de Medeiros ocorre três dias após o magistrado da mais alta corte do país revogar a liberdade que lhe fora concedida anteriormente.

No último sábado, o ministro Mendes ratificou sua posição ao rejeitar o recurso da defesa, reafirmando a necessidade da custódia antes do julgamento, agora previsto para o dia 25 de maio.

O caso transcorre em um ambiente de forte tensão processual. Em março, o julgamento perante o Tribunal do Júri foi suspenso após uma manobra da defesa de Jairo Souza Santos Júnior — conhecido como Dr. Jairinho, ex-vereador e também réu no processo —, cujos advogados abandonaram a sessão. À época, a juíza Elizabeth Machado Louro interpretou o ato como uma “interrupção indevida”, concedendo a liberdade temporária à ré, agora anulada pela instância superior.

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Um crime sob o signo da omissão

O drama remonta à madrugada de 8 de março de 2021. Henry Borel Medeiros faleceu em um apartamento na Barra da Tijuca, vítima de hemorragia interna e laceração hepática. Embora a defesa tenha sustentado a tese de um acidente doméstico, os laudos periciais foram taxativos ao descartar uma queda da cama como causa das múltiplas lesões.

O Ministério Público sustenta uma tese rigorosa: o menor teria sido submetido a agressões reiteradas por parte do padrasto, Dr. Jairinho, sob a anuência ou omissão da mãe. Desde abril de 2021, o casal alterna períodos de encarceramento e liberdades provisórias, em um percurso jurídico que tensiona os limites do garantismo e da eficácia do sistema penal brasileiro.