Uma operação militar dos Estados Unidos contra um cargueiro iraniano no Golfo de Omã abalou a frágil trégua entre Washington e Teerã neste domingo, ameaçando descarrilar as negociações de paz mediadas pelo Paquistão apenas 48 horas antes da expiração do cessar-fogo. A interceptação, confirmada pelo Pentágono, ocorreu no Estreito de Ormuz, uma artéria vital por onde transita 20% do petróleo mundial. Militares americanos realizaram uma operação de rapel para assumir o controle da embarcação após, segundo Washington, o navio ignorar repetidos avisos para não violar o bloqueio naval na região. Teerã classificou a ação como uma violação direta da trégua e prometeu retaliação.
O incidente ocorre em um momento crítico para a diplomacia. O vice-presidente JD Vance é esperado no Paquistão nesta segunda-feira para liderar a delegação americana em busca de uma extensão do acordo de duas semanas que vence nesta quarta-feira. Embora o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, tenha declarado que a guerra não é do interesse de ninguém, o clima em Teerã é de ceticismo. Fontes ligadas ao governo iraniano afirmaram à Reuters que o país está reconsiderando sua participação na cúpula devido à profunda desconfiança gerada pelo ataque.
Em entrevista à PBS, o presidente Donald Trump adotou uma postura beligerante, alertando que, caso não haja um acordo até quarta-feira, muitas bombas começarão a explodir. Apesar do tom agressivo, Trump buscou distanciar sua estratégia da influência direta de Benjamin Netanyahu. Em postagem na rede Truth Social, o presidente afirmou que o governo israelense não o convenceu a iniciar uma guerra, citando o ataque de 7 de outubro de 2023 e a proliferação nuclear iraniana como seus motivadores pessoais. “Se os novos líderes do Irã forem inteligentes, o país pode ter um futuro grande e próspero”, escreveu Trump, sugerindo abertamente uma mudança de regime.
O impacto econômico do conflito já é visível na paralisia quase total do tráfego marítimo regional. Apenas três embarcações cruzaram o Estreito de Ormuz nas últimas 12 horas e, desde o início do bloqueio, as forças dos EUA forçaram pelo menos 27 navios a retornar ou mudar de rota. Enquanto a tensão escala no Golfo, o cenário doméstico em Washington reflete a divisão sobre o conflito. A Polícia do Capitólio prendeu 66 manifestantes no Edifício Cannon House nesta manhã. O grupo, composto por veteranos de três gerações de conflitos, ocupou o espaço em protesto contra o financiamento de uma nova guerra. O governo Trump insiste que não está sob pressão para fechar um acordo, mas o incidente deste domingo reduziu drasticamente a janela para uma solução diplomática.





