O governo do Paquistão pediu formalmente os Estados Unidos a estenderem o cessar-fogo com o Irã, em uma tentativa de evitar o retorno das hostilidades diretas na região.
Durante uma reunião em Islamabad nesta terça-feira (21), o vice-primeiro-ministro paquistanês, Ishaq Dar, transmitiu à encarregada de negócios da Embaixada dos EUA, Natalie Baker, a necessidade de dar “uma chance ao diálogo” para alcançar uma estabilidade regional duradoura.
A ofensiva diplomática paquistanesa ocorre no momento em que o cessar-fogo de duas semanas se aproxima do fim. O Paquistão, que tem atuado como mediador no conflito há semanas, reforçou que a diplomacia é o “único meio viável” para enfrentar a crise. Baker, por sua vez, agradeceu o papel construtivo de Islamabad na facilitação do diálogo.
A negativa de Washington
Apesar dos esforços de mediação, o presidente Donald Trump descartou a possibilidade de manter a trégua temporária. Em declarações à emissora CNBC, Trump afirmou que o prazo expira nesta quarta-feira e que não tem intenção de prolongá-lo, buscando o que descreve como uma “solução permanente”.
“Não temos muito tempo”, declarou o mandatário, condicionando o futuro do Irã a um novo acordo: “Eles podem se tornar uma nação forte e maravilhosa novamente se fizerem um acordo”.
Teerã endurece o tom no Estreito de Ormuz
A resposta do Irã veio através de suas lideranças militares e do controle de rotas marítimas estratégicas. O major-general Ali Abdollahi, chefe do comando militar central, alertou que as tropas estão em alerta máximo para entregar uma “resposta decisiva” a qualquer descumprimento dos compromissos por parte de Washington. Abdollahi acusou Trump de fabricar “narrativas falsas” sobre a situação no campo de batalha.
Como medida de pressão, a agência semi-oficial Tasnim, vinculada à Guarda Revolucionária, anunciou que o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — está “fechado até segunda ordem”. Teerã justifica o bloqueio como uma resposta a um suposto “ataque recente do inimigo EUA-Israel”.
Escalada no mar
A tensão naval aumentou após o Pentágono confirmar a interceptação e o embarque no navio petroleiro M/T Tifani, de bandeira sancionada, na área do Comando Indo-Pacífico. No último fim de semana, as forças americanas já haviam apreendido um navio comercial iraniano no Mar Arábico, como parte do bloqueio naval em curso.
As autoridades iranianas condicionam a reabertura das rotas comerciais à suspensão total do cerco naval imposto pelos Estados Unidos. “Os canais permanecerão fechados até que as garantias necessárias para o levantamento do bloqueio sejam fornecidas”, informou a Tasnim.




