O Estreito de Ormuz está sendo a principal arma dos iranianos nessa guerra com Estados Unidos e Israel. (Reprodução: TV)


Três navios porta-contêineres foram alvo de disparos nesta quarta-feira (22) no Estreito de Ormuz, segundo a agência britânica UKMTO (United Kingdom Maritime Trade Operations) e fontes ligadas à segurança marítima. O episódio ocorre em meio à trégua anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o Irã, ainda não confirmada por Teerã.

Um dos navios, de bandeira liberiana e fretado por uma empresa grega, foi atingido por armas de fogo e granadas a cerca de 15 milhas náuticas (28 km) da costa de Omã. “A embarcação foi alvo de disparos que provocaram danos significativos à ponte de comando. Não houve incêndio nem impacto ambiental. A tripulação está em segurança”, informou a UKMTO em comunicado.

O capitão relatou que o ataque partiu de uma lancha da Guarda Revolucionária iraniana e que não houve qualquer aviso prévio por rádio. “Obtivemos permissão para atravessar o estreito, mas fomos atacados sem contato prévio”, disse. Segundo a empresa de inteligência Vanguard Tech, o navio havia sido autorizado a seguir viagem.

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Outros dois porta-contêineres também foram alvejados. Um deles, de bandeira panamenha, foi atacado a oito milhas náuticas da costa iraniana, sem danos. O terceiro, também liberiano, acabou imobilizado no mar após ser atingido.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas comerciais mais estratégicas do mundo, por onde circula cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) global.

Trégua contestada

Na noite de terça-feira (21), Trump anunciou a prorrogação “por prazo indeterminado” da trégua com o Irã, após mediação do Paquistão.

“Os Estados Unidos não vão atacar o Irã até que uma proposta seja apresentada pelo regime. O Irã está em colapso financeiro”, escreveu o presidente em sua rede Truth Social.

O anúncio foi recebido com desconfiança em Teerã. Um assessor de Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, afirmou que a decisão “não vale nada” e acusou Washington de usar uma “tática para ganhar tempo e preparar um ataque”.

O ministro da Agricultura iraniano, Gholamreza Nouri, declarou que o bloqueio naval americano iniciado em 13 de abril não afetou o abastecimento interno. “Apesar do bloqueio, não temos nenhum problema para fornecer bens essenciais e alimentos. Cerca de 85% dos produtos agrícolas são produzidos localmente, portanto a segurança alimentar está garantida”, disse à agência oficial Irna.

Reação internacional

O Reino Unido sedia nesta quarta e quinta-feira (23) uma reunião com militares de cerca de 30 países para discutir a criação de uma missão multinacional de proteção à navegação no estreito. O encontro segue negociações realizadas em Paris na semana passada, que reuniram mais de 40 países sob liderança do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e do presidente francês, Emmanuel Macron.

“O objetivo é transformar o consenso diplomático em um plano comum para garantir a liberdade de navegação e apoiar um cessar-fogo duradouro”, afirmou o ministro da Defesa britânico, John Healey.

Starmer declarou que França e Reino Unido liderarão a missão “assim que as condições permitirem”. Macron reforçou que a força-tarefa terá caráter defensivo e só será mobilizada após a consolidação da paz.

Os Estados Unidos e o Irã não participaram das negociações.