Paulo Henrique Costa, que está peso. (Foto: BRB)


O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, iniciou uma guinada estratégica após sua prisão, ao substituir sua equipe de defesa e apostar em um acordo de colaboração premiada. A decisão reflete a urgência em superar o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que já negocia com a Polícia Federal desde março.

Costa afastou o advogado Cléber Lopes — que também representa o ex-governador Ibaneis Rocha — e contratou Eugênio Aragão e Davi Tangerino. A troca elimina potenciais conflitos de interesse e abre caminho para acelerar tratativas junto à Procuradoria-Geral da República. A lógica é clara: no sistema de delações, quem chega primeiro com informações inéditas costuma receber benefícios mais amplos, como redução de pena e vantagens no regime prisional.

As investigações apontam que Costa e Vorcaro estão no centro de um esquema envolvendo a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito supostamente fraudulentas do Master para o BRB. Segundo a Polícia Federal, Costa teria atuado como representante de Vorcaro dentro da instituição pública em troca de imóveis de luxo avaliados em R$ 146 milhões. Como parte da nova estratégia, sua defesa pedirá ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, a transferência da Papuda para a Superintendência da PF em Brasília, alegando necessidade de neutralidade para negociar uma delação que pode atingir a cúpula política local.

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Enquanto isso, o STF mantém a pressão. Os ministros André Mendonça e Luiz Fux já votaram pela continuidade da prisão preventiva. O julgamento também afastou definitivamente o ministro Dias Toffoli, que se declarou suspeito após revelações de negócios envolvendo um fundo ligado a Vorcaro.

Para que a colaboração avance, Costa terá de apresentar informações inéditas e relevantes, capazes de identificar outros envolvidos, detalhar a hierarquia do grupo e recuperar ativos desviados. Ibaneis Rocha, por sua vez, nega qualquer irregularidade e sustenta que as operações entre BRB e Master foram legítimas oportunidades de mercado para expandir o banco estatal.