O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou sua participação na Feira Brasil na Mesa, realizada pela Embrapa em Planaltina (GO), para lançar mão de uma metáfora bem brasileira: disse que pretende levar um pé de jabuticaba ao presidente norte‑americano Donald Trump, como gesto simbólico para “acalmá‑lo”.
A declaração, feita nesta quinta-feira (23), ocorre em meio ao desgaste nas relações bilaterais após a prisão e soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem em território americano e a subsequente reação com o convite para o delegado da Polícia Federal baseado na Flórida deixasse o país sob a acusação de se imiscuir em questões policiais e judiciais dos norte-americanos.
Na feira, Lula destacou o potencial das frutas nacionais como exemplo da riqueza agrícola brasileira. “O Brasil tem um mercado interno extraordinário, mas muitas vezes não sabemos valorizar o que produzimos”, afirmou o presidente, defendendo maior divulgação das variedades cultivadas no país. O presidente também mencionou maracujá e outras espécies como símbolos da diversidade agrícola que poderiam ser compartilhados com parceiros internacionais.
O pano de fundo do discurso de Lula foi a crescente tensão entre Brasília e Washington. O episódio envolvendo Ramagem levou os Estados Unidos a determinar a saída de um delegado da Polícia Federal que atuava em cooperação no país, medida que foi respondida pelo Planalto com base no princípio da reciprocidade.
Além disso, divergências públicas entre Lula e Trump sobre o conflito no Oriente Médio ampliaram o atrito diplomático.
Durante a visita, Lula percorreu o “pomar da ciência”, onde pesquisadores apresentaram cultivos de baunilha, açaí, pitaya e outras espécies.
A iniciativa busca aproximar ciência e campo, oferecendo técnicas acessíveis para pequenos produtores. O presidente reforçou que a agricultura familiar segue como eixo estratégico de seu governo no combate à fome e na geração de renda no campo.
Com humor e metáforas, Lula procurou suavizar o tom das tensões externas, mas deixou claro que a valorização da produção nacional e o fortalecimento da agricultura familiar são prioridades de sua gestão.


