Moisés Rabinovi
O Irã e os Estados Unidos têm um novo encontro marcado no Paquistão neste fim de semana. A iniciativa partiu de Teerã, que enviou seu chanceler, Abbas Araghchi, a Islamabad com uma “oferta” para reabrir as negociações, paralisadas por acusações mútuas de violações do cessar-fogo — agora sem prazo para expirar.
O presidente Donald Trump enviará seus negociadores, Steve Witkoff e Jared Kushner, para avaliar a proposta neste sábado. O vice-presidente JD Vance permanecerá em Washington, mas poderá viajar a Islamabad se convocado para aprofundar as conversas.
Trump enfrenta seu mais alto índice de desaprovação — 58%, segundo pesquisa do New York Times. Apenas 39% aprovam sua gestão. Com arsenais no limite, uma guerra que custa cerca de US$ 1 bilhão por dia e os efeitos prolongados de 56 dias de bloqueio — incluindo o bloqueio do Estreito de Ormuz —, a Casa Branca busca uma saída para o que antes chamava de “excursão”.

Do lado iraniano, o poder está concentrado em uma junta militar. O aiatolá Mojtaba Khamenei, que não aparece em público desde que substituiu o pai morto nos primeiros bombardeios, teria passado por três cirurgias na perna — que aguarda prótese — e sofrido queimaduras no rosto e nos lábios, segundo investigação do New York Times. Trump afirma que há divisões internas no regime e aposta nisso ao prolongar o cessar-fogo, na expectativa de negociar com um interlocutor mais definido.
Os Estados Unidos e Israel pretendiam derrubar o regime teocrático, mas acabaram por endurecê-lo. O poder hoje estaria nas mãos de generais como Ahmad Vahidi, comandante dos Guardiões da Revolução; Mohammad Bagher Zolghadr, chefe do Supremo Conselho de Segurança Nacional; e Yahya Rahim Safavi, veterano ligado à família Khamenei.
Os pontos de impasse permanecem: desmantelamento do programa nuclear, devolução de 450 quilos de urânio enriquecido a 60% e reabertura do Estreito de Ormuz. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que os EUA manterão o bloqueio a navios e portos iranianos “até que um acordo seja alcançado”.
“O Irã ainda tem uma janela de oportunidade para fazer uma escolha sábia na mesa de negociações”, disse Hegseth, repetindo a posição de Trump.
No outro front, no Líbano, Israel e Hezbollah continuam trocando tiros, mísseis e drones, apesar do cessar-fogo estendido por mais três semanas, após nova rodada de negociações entre diplomatas libaneses e israelenses na Casa Branca.
Trump espera receber o presidente libanês, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para a assinatura de um acordo de paz — o terceiro de Israel com vizinhos árabes, depois de Egito e Jordânia. O principal obstáculo segue sendo o Hezbollah, ausente das negociações e resistente ao desarmamento, condição para que o Estado libanês recupere o controle pleno de seu território.




