André Luiz Petraglia


André Luiz Petraglia*

Vivemos em um mundo de aparências. Essa afirmação tem fundamento no fato de que, dentre os cinco sentidos que possuímos e que nos conectam ao mundo exterior, a visão é o que mais rapidamente nos traz informações. Se, por exemplo, pensarmos na cor vermelha e passarmos os olhos ao nosso redor, em uma fração de segundo somos capazes de encontrar tudo o que existir dessa cor no ambiente, por menor que seja o objeto ou um detalhe qualquer. Nosso interesse em parceiros costuma ser despertado inicialmente a partir da sua aparência, por isso nos preocupamos tanto com a nossa própria imagem, em qual impressão iremos causar à primeira “vista”.

Pela mesma razão compramos roupas e cosméticos, arrumamos e tingimos os cabelos, fazemos peeling e aplicamos botox , fazemos cirurgias plásticas para “consertar um defeitinho” aqui e outro ali, enchemos as academias em busca de ficarmos “em forma”. Ah, essa tão idealizada forma! E quanto ao conteúdo? A sabedoria chinesa nos ensina que a beleza de um vaso não encontra-se em sua decoração exterior, e sim naquilo que ele pode conter e sustentar. Essa dualidade entre corpo e mente é discussão antiga como conhecemos da citação do poeta latino Juvenal: “ Mens sana in corpore sano ”, ou seja, “Mente sã em corpo são”.

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Isso significa uma proposta interessante de equilíbrio, uma vez que sabemos que o corpo, apesar de transitório, nos será útil até o final da nossa caminhada terrestre, enquanto a mente, acompanhada pela alma, provavelmente, continuará seguindo em frente por muito mais tempo. Antoine de Saint-Exupéry, ao escrever “O pequeno príncipe”, também nos ensinou que “O essencial é invisível aos olhos”.

Então, que dessa conjunção equilibrada entre corpo e mente, entre exterior e interior, entre forma e conteúdo, saibamos extrair a sabedoria necessária para estarmos atentos à essência daquilo que realmente importa, que sejamos menos dependentes das aparências e da superficialidade das coisas e nos concentremos mais no caminho que nos conduz à imensidão e à perenidade da alma.

*André Luiz Petraglia é escritor, palestrante e consultor de comunicação e design.