A queda na taxa de juros é um realinhamento do mercado. (Foto: Divulgação)


Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, afirmou: “A redução dos juros pelo Copom e a manutenção pelo Fed nesta Superquarta sinalizam que o ciclo começa a virar, com a inflação mostrando sinais mais consistentes de desaceleração. Ainda assim, é um movimento inicial, feito com cautela, indicando uma transição gradual de um ambiente restritivo para um cenário mais estimulativo.

Na prática, isso tende a destravar o crédito aos poucos, melhorar o consumo e dar fôlego à atividade econômica. Para o mercado de FIDCs, o impacto é duplo: por um lado, o carrego tende a diminuir ao longo do tempo; por outro, a melhora nas condições econômicas reduz o risco de crédito e amplia a demanda por financiamento, criando um ambiente mais favorável para originação e expansão das operações. O ponto de atenção segue no cenário externo. A escalada do conflito no Oriente Médio e a alta do petróleo podem pressionar novamente a inflação, o que pode limitar ou desacelerar o ritmo de cortes. Isso reforça que, mesmo com o início da queda de juros, o ciclo deve ser conduzido com prudência e sujeito a revisões ao longo do caminho”.

Peterson Rizzo, gerente de R.I da Multiplike, disse: “O cenário atual mostra um ciclo econômico ainda frágil no Brasil, com o Copom já tendo iniciado a flexibilização, mas operando sob um ambiente de inflação resiliente e riscos externos elevados. A sequência de cortes modestos indica mais uma calibração de política do que um ciclo claro de estímulo. Os efeitos sobre crédito, consumo e atividade tendem a ser contidos no curto prazo, funcionando mais como sinalização do que como impulso efetivo. A inflação ainda pressionada limita uma transmissão mais forte da política monetária. A escalada do conflito no Oriente Médio, ao manter o petróleo em níveis elevados, adiciona assimetria relevante ao cenário. Isso pode dificultar a manutenção das reduções da Selic e reforçar uma postura ainda mais cautelosa nos próximos meses”.

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Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, avaliou: “A decisão de corte de juros pelo Copom e manutenção pelo Fed indica que o ciclo começa a entrar em uma fase mais construtiva, com sinais mais consistentes de desaceleração inflacionária. Ainda assim, é um movimento inicial e calibrado, mostrando que os bancos centrais seguem atentos a riscos que podem interromper esse processo. Para a economia, o efeito tende a ser gradual, com melhora nas condições de crédito, estímulo ao consumo e retomada mais consistente da atividade ao longo do tempo. No crédito estruturado, isso abre espaço para aumento da demanda por capital e maior dinamismo nas operações, embora o retorno nominal comece a se ajustar à medida que as taxas recuam. Por outro lado, o cenário externo segue como variável crítica. A alta do petróleo, impulsionada por tensões no Oriente Médio, pode reintroduzir pressão inflacionária e levar a uma condução mais lenta dos cortes. Isso reforça a importância de estruturas de crédito bem montadas, com foco em previsibilidade e proteção, em um ambiente que ainda combina oportunidade com incerteza”.

André Matos, CEO da MA7 Negócios, destacou: “O corte de 0,25 ponto percentual na Selic, de 14,75% para 14,50%, confirma que o Banco Central segue em seu ciclo de calibração, ainda que em ritmo conservador exigido por um ambiente inflacionário que não dá folga, com o IPCA-15 de abril em 0,89% e a projeção do IPCA de 2026 já em 4,86%, acima do teto da meta de 4,5%. O comunicado deve manter um tom mais duro do que o da reunião anterior, sinalizando cautela sobre os próximos passos sem comprometer nada para junho, o que é tecnicamente correto diante de um petróleo Brent acima de US$ 112 por barril e de um Estreito de Ormuz praticamente fechado, rota por onde passa cerca de 20% do comércio global de energia. Para o crédito e o consumo, a transmissão de um corte dessa magnitude é lenta, porque os juros reais no Brasil ainda seguem muito elevados, mas o sinal importa e sustenta a confiança de empresas e famílias sobre a trajetória da taxa. Para o investidor, o momento ainda favorece renda fixa atrelada ao IPCA e pós-fixados, com a bolsa reagindo positivamente em setores mais sensíveis a juros, como varejo e construção, mas sem uma reprecificação mais agressiva do Ibovespa enquanto o canal de crédito permanecer restritivo”.

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, afirmou: “A decisão do Copom de reduzir a Selic em 0,25 p.p., confirma a mudança de ritmo do ciclo de flexibilização, agora mais cauteloso diante de um ambiente mais adverso, com inflação ainda pressionada, especialmente por commodities e serviços, e um cenário externo mais restritivo. As notícias de hoje reforçam que o mercado já havia ajustado expectativas para cortes menores, refletindo a combinação de inflação resiliente, incerteza fiscal e juros elevados nos EUA, o que limita o espaço para afrouxamento mais agressivo. Na prática, o corte tem menos relevância pelo movimento em si e mais pela sinalização: já que o Banco Central mantém o ciclo, mas condicionado aos dados, indicando uma trajetória mais lenta e incerta para a queda dos juros, o que preserva a atratividade da renda fixa e exige maior seletividade em ativos de risco em um contexto de custo de capital ainda elevado”.

Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, disse: “A manutenção de juros pelo Fed, junto ao corte pelo Copom nesta Superquarta indica uma mudança de direção no ciclo, com a inflação dando sinais mais consistentes de arrefecimento. Ainda é um movimento inicial, mas que sugere transição de um ambiente restritivo para um cenário mais favorável à retomada. Para o investidor, isso altera a lógica de alocação. A renda fixa tende a perder parte da atratividade ao longo do tempo, enquanto a renda variável ganha espaço, especialmente em estratégias de longo prazo. Nesse contexto, ETFs se tornam uma ferramenta eficiente para capturar essa mudança, oferecendo diversificação e exposição ao crescimento com menor risco específico. Na economia, o impacto é de melhora gradual no crédito, estímulo ao consumo e recuperação da atividade. No entanto, o cenário externo ainda exige atenção. A alta do petróleo, influenciada pelo conflito no Oriente Médio, pode pressionar a inflação e desacelerar o ritmo de cortes, reforçando a importância de uma estratégia equilibrada e de longo prazo”.

João Kepler, CEO da Equity Group, avaliou: “A decisão de corte de juros pelo Copom e manutenção pelo Fed sinaliza que o ciclo começa a virar, com a inflação dando espaço para uma política monetária menos restritiva. Ainda é um movimento inicial, mas já indica um ambiente mais favorável à retomada de crescimento. Para empresas e startups, isso tende a reduzir o custo de capital e reativar o apetite por investimento, com impacto positivo sobre crédito, consumo e atividade ao longo do tempo. O dinheiro volta a circular com mais força, e projetos que estavam represados ganham viabilidade. Mas esse cenário ainda não está garantido. A alta do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, pode reverter parte desse alívio inflacionário e desacelerar o ritmo de cortes. Isso reforça que o ciclo de queda de juros deve ser gradual e exige das empresas uma combinação de estratégia, eficiência e timing para capturar as oportunidades”.