Em conversas reservadas com interlocutores das montadoras presentes na feira, a avaliação é a de que o impacto da nova linha será gradual e sentido ao longo do ano. Mesmo assim, um vendedor relatou ao Estadão/Broadcast que, apesar de o anúncio do governo federal ter sido feito na quinta, ele já registrou, nesta sexta, três intenções de compra alinhadas ao novo programa. Segundo ele, ainda é preciso saber as condições da nova linha, que devem sair nos próximos 60 dias. A expectativa é a de que a medida comece a destravar negócios nas próximas semanas.
O desempenho comercial durante a Agrishow foi considerado por ele “positivo e dentro do esperado”. Na região de atuação desse interlocutor, que abrange Centro-Oeste e Minas Gerais, as vendas de caminhões ficaram em linha com as projeções. O cenário, no entanto, segue instável. Ele lembra que, no lançamento do programa anterior, o Move Brasil 1, houve um salto imediato nas intenções de compra de caminhões, mas a conversão em vendas foi limitada pelas condições de financiamento. “De cada dez intenções, conseguimos fechar quatro”, relatou, destacando o impacto dos juros elevados e do spread bancário na ponta final da operação.
Representante de outra montadora que está na Agrishow afirmou que ainda é “prematura” qualquer avaliação sobre o novo programa, dado que o anúncio ocorreu apenas na véspera do encerramento do evento de Ribeirão Preto. No caso dessa fabricante, as vendas na Agrishow foram consideradas robustas, impulsionadas por uma estratégia comercial iniciada dias antes do evento. A leitura interna é a de que a feira, na prática, teve duração ampliada, funcionando como continuidade de uma ação prévia de vendas.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o Move Brasil 2 busca estimular a renovação de frota, reduzir custos logísticos e sustentar empregos na indústria de ônibus e caminhões. Do total anunciado, R$ 2 bilhões serão destinados a caminhoneiros autônomos, com condições diferenciadas de prazo e carência, numa tentativa de ampliar o acesso ao crédito.
Apesar do impulso esperado com a nova linha, o segmento siderúrgico ainda enfrenta dificuldades, como ressaltou, o CEO global da Gerdau, Gustavo Werneck, em entrevista à imprensa na Agrishow. Ele afirmou que, embora o ambiente geral da feira seja positivo, o setor de caminhões segue fraco e tem afetado diretamente a demanda por aço.
Segundo Werneck, a unidade de Pindamonhangaba (SP), dedicada à produção de aços especiais para esse mercado, é afetada por falta de pedidos. “Ela está parada”, disse. Werneck defendeu também a adoção de medidas de incentivo, como a anunciada na quinta-feira pelo Mdic, para reativar o segmento e recuperar a confiança, destacando que há apenas sinais iniciais, ainda tímidos, de melhora.


