O GPA, controlador das bandeiras Pão de Açúcar e Extra, deu um passo decisivo para tentar estancar sua crise financeira. Em assembleia realizada na última terça-feira, a companhia obteve o aval de 57,49% de seus credores para um novo plano de recuperação extrajudicial.
A estratégia foca na reestruturação de uma dívida total de R$ 4,568 bilhões.
Com a aprovação, a varejista projeta reduzir seu endividamento em mais de 50%. O plano prevê uma solução para a liquidez imediata e a sustentabilidade do grupo no longo prazo, segundo nota divulgada pela empresa.
Como funciona o pagamento
A reestruturação será dividida em etapas que envolvem a emissão de novos títulos (debêntures) e o perdão de parte dos valores:
- R$ 1,5 bilhão: Primeira emissão de títulos imediata.
- R$ 1,1 bilhão: Segunda emissão que poderá ser convertida em ações da companhia entre 2027 e 2031.
- Corte de 70%: Sobre os R$ 2 bilhões restantes, haverá um abatimento de 70%, resultando em R$ 600 milhões a serem pagos apenas em 2036.
Na prática, o perfil da dívida mudou drasticamente: o prazo médio de vencimento subiu de 2,1 anos para 6,4 anos. Cerca de 70% do montante total só começará a ser quitado a partir de 2031.
Foco na operação e fim de expansões
Para o CEO do GPA, Alexandre Santoro, o endividamento era “desproporcional” ao tamanho do negócio, apesar da força das marcas. Com o alívio de R$ 4 bilhões no fluxo de caixa para os próximos dois anos, a empresa mudará sua estratégia comercial.
“Não vamos abrir novas lojas e sim melhorar a experiência nas atuais”, afirmou Santoro. O objetivo agora é focar na venda rentável e no dia a dia da operação para recuperar a saúde financeira.
Entenda a recuperação extrajudicial
Diferente da recuperação judicial, a modalidade extrajudicial não depende inicialmente do aval da Justiça para ser iniciada. Ela ocorre por meio de negociação direta entre a empresa e seus credores.
O acordo homologado abrange créditos sem garantia (quirografários), poupando fornecedores diretos e locadores de imóveis, o que permite que as prateleiras das lojas continuem abastecidas durante o processo.


