O Instituto de Pesquisa Clínica de Campinas (IPECC) foi fundado em 2016 pelo seu atual diretor,José Francisco K. Saraiva, para atividades de pesquisa multidisciplinar. (Foto: Divulgação)


O Instituto de Pesquisa Clínica de Campinas (Ipecc) expandiu sua atuação para incluir o estudo de tratamentos contra a doença de Alzheimer. A unidade, que já possui tradição em áreas como cardiologia, endocrinologia e pediatria, inicia nesta segunda-feira os trabalhos voltados para a neurologia. O primeiro foco será a validação de medicamentos destinados a reduzir sintomas comportamentais, como a agitação e a agressividade em pacientes diagnosticados.

Segundo Alexandre Pieri, neurologista do Hospital Israelita Albert Einstein e coordenador de neurologia do instituto, o objetivo é garantir que os tratamentos passem pelo crivo de órgãos regulatórios, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“A pesquisa clínica acompanha pacientes para verificar os efeitos colaterais — ou seja, a segurança do tratamento — e a eficácia. Tendo comprovadas a segurança e a eficácia, o medicamento avança para a fase quatro, que é a vida real, e então entra no mercado”, explica Pieri. O médico ressalta que, mesmo após a comercialização, o monitoramento dos pacientes continua.
Especificidades brasileiras

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O fundador do Ipecc e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), José Francisco Saraiva, destaca que a realização de pesquisas nacionais é fundamental para adaptar fármacos à realidade genética e cultural do país.

“Durante décadas, o Brasil importou medicamentos que não haviam sido validados para uso na população brasileira. O Brasil é um país com características regionais e culturais distintas. Temos uma alta taxa de miscigenação, diferentemente dos Estados Unidos — onde os estudos são feitos em brancos ou em negros — ou da Ásia”, afirma Saraiva.

Foco na agitação

A escolha inicial pelo tratamento da agitação se deve a uma lacuna terapêutica. Pieri aponta que, embora o esquecimento seja o sintoma mais conhecido, a irritabilidade e a agressividade são os maiores desafios para as famílias. Atualmente, o controle desses sintomas é feito com medicamentos “off label” (fora da indicação oficial da bula), como antiepilépticos e neurolépticos.

“Esse fármaco é desenvolvido exatamente para isso. Hoje, quando temos um paciente agitado com Alzheimer, usamos quetiapina e risperidona, todos off label”, diz o neurologista.

Para os interessados em participar dos estudos como voluntários, o instituto recebe inscrições diretamente por meio de seu site oficial (www.ipecc.com.br).