Todas as dívidas podem ser renegociadas com taxas mais vantajosas pelo programa do governo. (Foto: Reprodução)


Uma pesquisa da Quaest divulgada nesta quarta-feira (13) aponta que 38% dos brasileiros avaliam que o programa Desenrola 2.0, lançado pelo governo federal, vai ajudar muito na redução das dívidas das famílias. Outros 27% acreditam que a iniciativa terá efeito limitado, enquanto 33% dizem que não trará benefícios. Apenas 2% não souberam responder.

O programa, anunciado na semana passada, é voltado para pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026. As renegociações podem incluir descontos entre 30% e 90%, com juros limitados a 1,99% ao mês. Também será possível usar até 20% do saldo do FGTS, ou R$ 1 mil, para quitar parte ou todo o débito. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, os valores renegociados já se aproximam de R$ 1 bilhão.

A pesquisa mostra ainda que 57% dos entrevistados já tinham ouvido falar do Desenrola 2.0, enquanto 43% tomaram conhecimento recentemente. O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas entre os dias 8 e 11 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

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O tema ganhou centralidade no debate político. Com o endividamento das famílias em nível recorde — 80,4% em março, segundo a CNC — e quase metade da renda comprometida com dívidas, Lula transformou o programa em prioridade. A pressão financeira se tornou também um dos pontos centrais da disputa presidencial de outubro.

Outro aspecto abordado pela pesquisa foi a proposta de proibir beneficiários do programa de realizar apostas online. A medida recebeu apoio de 79% dos entrevistados, enquanto 16% se declararam contrários. Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, há relação direta entre inadimplência e jogos virtuais: 46% dos endividados afirmaram apostar, muitos deles já com o nome negativado.

Na avaliação geral sobre o Desenrola 2.0, metade dos entrevistados considera que a iniciativa é uma boa ideia, por ajudar quem está endividado. Outros 22% dizem que ajuda apenas em parte, e 23% avaliam que é uma má ideia, por estimular novas dívidas.