O partido Democracia Cristã (DC) confirmou a pré-candidatura do ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa à Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão, contudo, deflagrou uma crise na legenda: o ex-ministro Aldo Rebelo, que havia sido anunciado como o nome do partido no início do ano, contestou a substituição e afirmou que pretende levar a disputa interna até a convenção partidária, recorrendo às vias judiciais se necessário.
Em nota oficial, o presidente nacional do DC, João Caldas, justificou a troca apontando a estagnação de Rebelo nas pesquisas de intenção de voto. Segundo o dirigente, Barbosa representa a possibilidade de “reconstrução da confiança do povo brasileiro nas instituições” diante da atual crise institucional entre os Três Poderes. Rebelo, por sua vez, rebateu as declarações, argumentando que a mudança reflete uma posição isolada de Caldas e destacou que o ex-magistrado ainda não se pronunciou publicamente.
Procurado, Joaquim Barbosa não atendeu aos pedidos de entrevista para comentar a filiação e a indicação ao Planalto.
O perfil de Joaquim Barbosa e o histórico político
Joaquim Barbosa ganhou projeção nacional durante sua atuação no STF, Corte que integrou entre 2003 e 2014, após ser indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu primeiro mandato. Ele se tornou o primeiro ministro negro a presidir o tribunal e notabilizou-se como relator do processo do Mensalão (AP 470), adotando uma postura de duro embate com a classe política.
Em julho de 2014, Barbosa aposentou-se antecipadamente do cargo — dez anos antes do limite constitucional de 75 anos —, sob intensas especulações sobre seu futuro político. Nas eleições de 2018, filiado ao PSB, ele chegou a liderar articulações para disputar a Presidência da República e aparecia com destaque nas pesquisas de intenção de voto, mas declinou do convite alegando razões estritamente pessoais.
O cenário eleitoral de 2026
A entrada de Joaquim Barbosa mexe com o xadrez político de uma disputa que já conta com frentes consolidadas à esquerda e à direita:
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT): O atual presidente é pré-candidato natural à reeleição, estruturando sua plataforma de campanha na continuidade de programas sociais, na agenda de crescimento econômico e na polarização com o governo anterior.
- Flávio Bolsonaro (PL): O senador desponta como o principal representante do espólio político do bolsonarismo na disputa pelo Palácio do Planalto.
- Ronaldo Caiado (PSD): O ex-governador de Goiás busca posicionar-se como uma alternativa de centro-direita, apostando em sua experiência Executiva e em discursos focados em segurança pública e agronegócio.
- Romeu Zema (Novo): O ex-governador de Minas Gerais também tenta consolidar seu espaço no campo da direita moderada, com um discurso voltado à responsabilidade fiscal e à eficiência de gestão.





