O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou expansão de 1,3% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com os três meses imediatamente anteriores, confirmando uma trajetória de aceleração do nível de atividade do país. O dado, calculado após ajuste sazonal, foi divulgado nesta segunda-feira (18) pela autoridade monetária.
O desempenho consolida o segundo trimestre consecutivo de terreno positivo para o indicador — que serve como importante sinalizador para o Produto Interno Bruto (PIB) —, após o avanço de 0,37% observado no quarto trimestre de 2025. Trata-se do ritmo de crescimento mais intenso desde o terceiro trimestre de 2024, período em que a atividade econômica havia expandido 1,42%.
A abertura dos dados setoriais revela um crescimento disseminado na passagem trimestral. O setor industrial liderou a expansão do período, com alta de 1,3%. Os segmentos de serviços e da agropecuária acompanharam o movimento de alta, ambos registrando avanço de 1% no trimestre.
Estímulos governamentais e o hiato do produto
A aceleração da atividade econômica coincide com um calendário marcado por eleições e pela materialização de estímulos fiscais e de crédito implementados pelo governo federal. Entre as medidas que impulsionaram a demanda doméstica no início do ano figuram a isenção do Imposto de Renda para contribuintes com rendimentos de até R$ 5 mil, a liberação de saques do FGTS e a facilitação de linhas de crédito subsidiadas.
A resiliência da atividade ocorre em um contexto monitorado de perto pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Na ata de sua última reunião, a autoridade monetária pontuou que o hiato do produto — medida que avalia a diferença entre o PIB efetivo e o PIB potencial da economia — permanece em patamar positivo. Segundo a avaliação do BC, a economia segue operando ligeiramente acima de sua capacidade de longo prazo, porém, sem gerar, no momento, pressões inflacionárias adicionais.
Divergências metodológicas e projeções para o ano
Embora o IBC-Br antecipe a tendência da atividade, o indicador oficial do PIB é apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com divulgação programada para o próximo dia 29 de maio.
As metodologias guardam distinções estruturais:
- IBC-Br (Banco Central): Mensura a evolução da oferta agregada a partir de estimativas para a indústria, serviços e agropecuária, além da dinâmica dos impostos, sendo utilizado como subsídio fundamental para calibrar a taxa básica de juros (Selic).
- PIB (IBGE): Incorpora de forma abrangente o lado da demanda (consumo das famílias, investimentos privados e gastos governamentais), oferecendo o retrato definitivo do valor adicionado da economia.
A despeito do forte arranque no primeiro trimestre, o consenso de mercado e o próprio Banco Central mantêm o cenário de desaceleração para o fechamento de 2026. A perda de ritmo é vista pela autoridade monetária como parte do aperto monetário necessário para a convergência da inflação às metas. No relatório Focus, a projeção do mercado financeiro aponta para um crescimento de 1,86% em 2026, desacelerando frente aos 2,3% registrados em 2025. O Banco Central adota uma postura ligeiramente mais conservadora, projetando expansão de 1,6% para o ano cheio.





