A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para investigar possíveis irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o Instituto Conhecer Brasil. O objetivo da parceria era instalar 5 mil pontos de internet wi-fi na capital paulista.
A organização não governamental (ONG) é dirigida pela jornalista . Ela também é proprietária da Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Até o momento, o projeto — que começou em 2024 e deveria ser concluído em 2025 — entregou 3,2 mil pontos de conexão.
Os pontos centrais da investigação:
- Falta de concorrência: A ausência de licitação competitiva gerou questionamentos legais.
- Falta de expertise: Investigadores apontam que a ONG não tem histórico ou capacidade técnica para gerir redes de internet.
- Pagamentos antecipados: Há suspeitas de repasses de R$ 26 milhões sem a devida comprovação dos serviços prestados.
- Custo inflado: O Ministério Público aponta que a Prodam (empresa pública de tecnologia da cidade) poderia realizar o mesmo serviço por um valor bem menor.
“As irregularidades são evidentes, desde a forma de contrato até a prestação de contas”, afirmou o vereador Nabil Bonduki (PT), autor da primeira denúncia sobre o caso.
O caso chegou à Polícia Civil por determinação da promotora Fabíola Cezarini, da 6ª Promotoria de Justiça Criminal, após indícios enviados pelo Ministério Público.
Conexões políticas e emendas parlamentares
Karina Ferreira da Gama possui cinco empresas em seu nome e mantém ligações com o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que assina o roteiro do filme sobre Bolsonaro.
Além do contrato bilionário com a prefeitura, as empresas da empresária receberam repasses de deputados estaduais da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) por meio de emendas parlamentares que somam R$ 700 mil.
De onde veio o dinheiro das emendas:
- Valéria Bolsonaro (PL): R$ 100 mil para compra de equipamentos (pago).
- Gil Diniz (PL): R$ 200 mil para a produção de uma série documental (pago).
- Luiz Fernando Teixeira (PT): R$ 190 mil destinados a aulas de teatro (em andamento).
- Lucas Bove (PL): Indicou R$ 213 mil para um projeto esportivo, mas a emenda foi travada por falta de documentação técnica da ONG.
Os parlamentares negam qualquer tipo de ilegalidade nos repasses.
Desdobramento Federal: O destino dos fundos
Em outra frente, a Polícia Federal (PF) apura se os recursos solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foram usados para finalidades diferentes do filme. A linha de investigação tenta descobrir se a verba financiou a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
As defesas dos envolvidos apresentam versões divergentes sobre o financiamento. Enquanto Flávio Bolsonaro confirmou os aportes de Vorcaro para a produção do longa, Mario Frias, Eduardo Bolsonaro e a produtora Go Up negam ter recebido dinheiro do dono do Banco Master.
Posteriormente, Eduardo declarou ter sido mal interpretado, justificando que a relação comercial da produtora ocorreu com a Entre Investimentos — empresa que, segundo investigações do site Intercept Brasil, é ligada a Vorcaro e teria enviado R$ 61 milhões para um fundo no Texas gerido pelo advogado de imigração do parlamentar.





