Fotos que Deolane publica em sua rede social, mostrando seu estilo de vida de luxo. (Reproduções: Redes Sociais)


O cabelo platinado está sempre impecável. O olhar, direto. O feed, uma vitrine de helicópteros, Dubai e closets do tamanho de apartamentos.

Aos 38 anos, Deolane Bezerra não é só advogada. É personagem principal de uma novela que o Brasil assiste pelo celular: 21,7 milhões de pessoas seguem cada passo, cada look, cada desabafo.

A fama nacional bateu à porta em 2021, do jeito mais doloroso. A morte do marido, o funkeiro MC Kevin, que caiu da varanda de um hotel no Rio, lançou Deolane para o centro das câmeras. A perícia disse “acidente”. Ela disse “recomeço”. E recomeçou em alta velocidade.

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A fama nacional bateu à porta em 2021, do jeito mais doloroso, a morte do marido, o funkeiro MC Kevin, que caiu da varanda de um hotel no Rio. (Reprodução: Redes Sociais)


Daí em diante, Alphaville virou cenário. São 12 mansões mapeadas pela polícia de Pernambuco, segundo a Operação Integration, de 2024. R$ 65 milhões investidos em três anos, dizem os investigadores. No Instagram, ela mostra cada cômodo. Na Justiça, ainda não há condenação definitiva. A defesa fala em perseguição. Os promotores falam em lavagem de dinheiro.

Nesta quinta-feira, 21, o roteiro ganhou novo capítulo. Agentes do MP-SP e da Polícia Civil bateram à porta da casa em Barueri por ordem judicial.

A Operação Vérnix mirou uma transportadora de Presidente Venceslau controlada pela cúpula do PCC. Marcola, o líder da facção, é alvo.

Deolane também. Duas contas no nome dela teriam recebido repasses da empresa, apontam os investigadores.

É a segunda prisão de Deolane. A primeira foi em setembro de 2024, no Recife, por suspeita de ligação com bets e jogos ilegais.

Ficou cinco dias presa. Saiu de tornozeleira. Voltou para os stories. Voltou para Roma. Voltou de lá na quarta-feira, 20, já com seu nome e sua fotografia na difusão vermelha da Interpol. Na quinta, a polícia voltou para buscá-la presa.

Entre um depoimento e outro, Deolane construiu um império digital. Publicidade, apostas online, participações em TV. O tom é sempre o mesmo: a “doutora” que não leva desaforo, mãe que chora, mulher que ostenta. “Não vim ao mundo a passeio”, já escreveu nas redes sociais. O público a aplaude. O Ministério Público fica à distância monitorando suas atividades ilícitas.

A investigação que a prendeu hoje começou em 2019, com bilhetes achados na penitenciária de Presidente Venceslau.

Os papéis falavam de uma “mulher da transportadora”. Três inquéritos depois, chegaram ao celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador do PCC.

Lá estavam depósitos para Deolane: R$ 1,06 milhão em valores fracionados entre 2018 e 2021, diz a polícia.
Mais R$ 716 mil foram mandados para empresas dela, vindos de um “banco de crédito” cujo dono ganha um salário mínimo.

A Justiça bloqueou R$ 27 milhões atribuídos a ela. Valor sem origem comprovada, justificam os promotores. Para o advogado Luiz Imparato, que a defende, ainda é cedo: “Estou me inteirando dos fatos”.

Enquanto isso, o feed segue no ar. A última foto: Roma, óculos escuros, legenda em latim. Nos comentários, fãs escrevem “volta, doutora”. Nos autos, o Ministério Público escreve: “Risco de fuga”.

Deolane Bezerra é, ao mesmo tempo, ré e influencer. Advogada e manchete na mídia. Símbolo de um Brasil que consome luxo e processo criminal na mesma timeline.

Mansão onde Deolane foi presa pela polícia de São Paulo. (Foto: R7)