A Cálix Propaganda, empresa fundada em 2003 pelo publicitário Marcello Lopes — ex-policial civil e amigo próximo do senador Flávio Bolsonaro — tornou-se uma das principais fornecedoras de serviços de publicidade para o governo federal nos últimos quatro anos.
Os registros oficiais do Portal de Compras da União indicam que, entre abril de 2022 e maio de 2026, a agência obteve contratos que somam R$ 99,28 milhões. Desse montante, R$ 39,7 milhões já foram pagos; outros R$ 59,6 milhões permanecem pendentes.
Origem dos contratos
O primeiro contrato, firmado em dezembro de 2021, ocorreu durante a gestão de Rogério Marinho no então Ministério do Desenvolvimento Regional. Avaliado em até R$ 55 milhões anuais, o acordo foi mantido e renovado três vezes sob o governo de Lula, já com a pasta rebatizada como Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
O segundo contrato, assinado em maio de 2022, envolveu a antiga pasta da Infraestrutura, comandada por Tarcísio de Freitas.
A licitação contou apenas com a participação da Cálix e estabeleceu teto de R$ 14,97 milhões anuais. A formalização ocorreu em abril de 2023, já em ano eleitoral, e desde então o vínculo foi prorrogado até 2027.
Pagamentos e restos a pagar
Embora os empenhos somem R$ 91,8 milhões, parte significativa ainda não foi liquidada.
O governo reconhece dívidas de R$ 32,9 milhões referentes a notas emitidas apenas neste ano e outros R$ 26,7 milhões relativos a exercícios anteriores, classificados como “restos a pagar”.
A postergação desses desembolsos gerou acréscimos de juros e multas. Quatro empenhos já acumulam R$ 3,9 milhões adicionais em relação ao valor originalmente previsto.
Relações políticas
Marcello Lopes, conhecido como “Marcellão”, atuava até esta semana como coordenador de comunicação da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Após divergências internas, anunciou sua saída em 20 de maio, declarando intenção de dedicar-se exclusivamente à Cálix.
O posto será ocupado por Eduardo Fischer.
A trajetória de Lopes evidencia a interseção entre negócios privados e articulações políticas: seus contratos nasceram sob Jair Bolsonaro e foram mantidos na gestão petista, enquanto aliados como Rogério Marinho e Tarcísio de Freitas seguem desempenhando papéis centrais na oposição e em disputas eleitorais.





