Ex-presidente Rodrigo Duterte, com fuzil em mãos: acusado de 30 mil execuções de pessoas nas Filipinas. (Foto Acervo)


O ex-presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, foi preso pela polícia local, no aeroporto internacional de Manila, nesta terça-feira (11), por ordem do Tribunal Penal Internacional (TPI), no âmbito de um processo de crime contra a humanidade apresentado contra ele. Ele é suspeito de ser responsável direto por cerca de 30 mil execuções no país. A informação é do governo filipino.


Duterte foi preso depois de chegar de Hong Kong. A polícia o levou sob custódia por ordem do TPI, que está investigando os homicídios que ocorreram durante a repressão do antigo presidente contra o consumo e tráfico de drogas, informou o gabinete do presidente Ferdinand Marcos por intermédio de um comunicado.


“Quando da sua chegada, o procurador-geral notificou o antigo presidente de um mandado de captura do TPI por crime contra a humanidade”, informou fonte do governo. “Ele está agora sob custódia das autoridades”.

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A “detenção surpresa” provocou um tumulto no aeroporto, onde advogados e assessores de Duterte protestaram ruidosamente por terem sido impedidos, juntamente com um médico e advogados, de se aproximarem dele depois de ter sido levado sob custódia policial. “Trata-se de uma violação do seu direito constitucional”, declarou aos jornalistas o senador Bong Go, um aliado próximo de Duterte.


O gabinete da Polícia Internacional em Manila recebeu uma cópia oficial do mandado de captura do tribunal mundial, informou o governo.
O governo disse que o ex-líder de 79 anos estava em boas condições de saúde e foi examinado por médicos.


O TPI começou a investigar os homicídios sob a liderança de Duterte desde 1 de novembro de 2011, quando ele ainda era governo autocrata da cidade de Davao, no sul do país, e o fez até 16 de março de 2019. A investigação analisava possíveis crimes contra a humanidade. Em 2019, Duterte retirou as Filipinas do Estatuto de Roma, numa medida que os ativistas dos direitos humanos dizem ter como objetivo escapar à responsabilização.


A administração de Duterte moveu-se para suspender a investigação do tribunal global no final de 2021, argumentando que as autoridades filipinas já estavam a investigar as mesmas alegações, argumentando que o TPI – um tribunal de último recurso – não tinha jurisdição.
Os juízes de recurso do TPI decidiram em 2023 que a investigação poderia ser retomada e rejeitaram as objeções do governo.


Com sede em Haia, nos Países Baixos, o TPI pode intervir quando os países não querem ou não podem processar os suspeitos dos crimes internacionais mais hediondos, incluindo genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.