TV da Bélgica acompanhou a operação da polícia local em endereços de supostos subornados. (Reprodução TV)


A polícia da Bélgica fez buscas na sede da empresa chinesa de tecnologia Huawei, em Bruxelas, e em várias residências no país, no âmbito de uma nova investigação sobre corrupção, segundo informa a agência de notícias Euronews.


Segundo a agência, a operação foi divulgada em primeira mão pelo site de investigação “Follow the Money’, juntamente com dois outros jornais belgas, Le Soir e Knack.


De acordo com os meios de comunicação social belgas, os lobistas do gigante tecnológico chinês pagaram subornos a deputados europeus para influenciar a tomada de decisões na UE. Segundo fontes, cerca de 15 deputados e ex-deputados podem estar envolvidos no caso.
A polícia fez buscas em 21 residências na manhã desta quinta-feira (13), no âmbito de uma operação secreta. Procuravam provas de eventuais crimes, incluindo suborno, falsificação, branqueamento de capitais e organização criminosa. Segundo o Le Soir, estas buscas decorreram na região de Bruxelas, Flandres, Valónia e também em Portugal. De acordo com o jornal belga, alguns dos subornos terão sido feitos através de uma empresa portuguesa.

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De acordo com a informação publicada na manhã desta quinta-feira, um lobista de 41 anos, Valerio Ottati, está no centro da investigação em curso.


Entrou para a empresa chinesa há seis anos. Antes disso, trabalhou para os deputados italianos envolvidos nos dossiers sobre a China.
Se a investigação disser respeito aos atuais membros do Parlamento Europeu, as autoridades belgas irão pedir ao Parlamento que levante a sua imunidade.


“O Parlamento Europeu toma nota da informação. Quando solicitado, coopera sempre plenamente com as autoridades judiciais”, afirmou um porta-voz do Parlamento Europeu.


A Euronews sabe que, até este momento, não foram efetuadas buscas nas instalações do Parlamento e que os procuradores belgas ainda não enviaram qualquer pedido de levantamento de imunidade.


No entanto, o novo escândalo pode ser desastroso para a reputação da instituição. O Parlamento Europeu reforçou as suas regras de ética e transparência após o chamado escândalo Qatargate.


Os membros da rede de corrupção – com deputados europeus envolvidos – foram descobertos em 2022 e aceitaram dinheiro e outros benefícios do Estado do Golfo em troca de influenciar as decisões da UE.


Desde então, os políticos de extrema-direita e eurocéticos têm mencionado frequentemente o caso para pintar o Parlamento e a UE como corruptos.


A Euronews diz que a Huawei para comentar o caso mas ainda não teve resposta.