Com o cacau na estratosfera (189% de alta em 12 meses, segundo o mercado internacional) e a inflação pegando no bolso do brasileiro (chocolates subiram 16,53%, mais que o triplo da inflação média de 5,06%, diz IBGE), indústria e varejo não estão dormindo no ponto.
A Páscoa deste ano chega com ovos que têm mais recheios, biscoitos e wafers — e menos chocolate puro. A ideia? Driblar os custos sem perder a clientela.
As apostas do mercado revelam dois caminhos: consumidores de classe média devem optar por produtos premium com tamanhos menores, priorizando a qualidade em vez da quantidade.
Para as famílias de baixa renda, as escolhas recaem sobre bombons e embalagens econômicas.
“O paladar não involui”, diz Juliana Kohler, da consultoria Kantar. Segundo ela, mesmo com preços altos, a indulgência fala mais alto, e o consumidor vai encontrar formas de manter o chocolate na lista de compras.
A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) confirma: a produção de chocolate segue estável no Brasil, mas o foco mudou. Para a Páscoa de 2025, o varejo recebe 803 tipos de produtos, totalizando mais de 45 milhões de ovos. Esse número é 22% menor que no ano passado, mas há um aumento no portfólio com biscoitos e wafers.
“A entrega mudou, e o mercado precisa se ajustar ao consumidor”, explica Jaime Recena, presidente da Abicab.
A Arcor, por exemplo, investiu pesado no wafer com a expansão da linha Bon o Bon. “É estratégico: reduz custos com cacau e amplia formatos, como caixas de bombons e barras”, conta Richard Oliveira, gerente de marketing. O segmento cresceu 10% em relação a 2024, segundo a empresa.
Entre as gigantes, a Lacta (Mondelez Brasil) diversificou o portfólio: ovos temáticos como Barbie e Hot Wheels e até versões menores do tradicional Ovo Bis Branco. Já a Nestlé, mirando o público jovem, triplicou a produção do Ovo Caribe, estrela do TikTok em 2024. E tem novidade: o Ovo Charge, inspirado em um bombom da marca.
Para quem gosta de luxo, a Dengo trouxe chocolates com até 38% de cacau e foco na produção local. O preço do cacau subiu mais de 200% para eles, mas a empresa limitou repasses ao consumidor a 10%. Já a Kopenhagen lançou ovos colecionáveis como o Ovo Friends, enquanto a Brasil Cacau aposta em marcas parceiras, como KitKat e Prestígio.
Segundo Fábio Queiróz, da Associação de Supermercados do Rio, as vendas devem crescer 15% este ano. “É uma data emocional. O consumidor pode trocar formatos, mas não deixa de comprar. Basta atender a todos os bolsos”, resume.
Com estratégias como kits promocionais e portfólios que vão do popular ao premium, as marcas tentam garantir que, mesmo com a alta, o brasileiro não precise abrir mão do chocolate. Porque, no final das contas, indulgência é quase sagrada.
Fontes: IBGE, Kantar, Abicab, Lacta, Nestlé, Dengo, Associação de Supermercados do Rio.
Para a Páscoa de 2025, a indústria de chocolates no Brasil prevê a produção de 45 milhões de ovos de Páscoa, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim. Esse número representa uma redução de cerca de 22% em relação ao ano passado, quando foram produzidos 58 milhões de ovos. A queda reflete os desafios econômicos, como o aumento de 189% no preço do cacau nos últimos 12 meses.
Apesar da redução na produção, o setor está otimista com o faturamento. A expectativa é de crescimento nas vendas, impulsionado pelo aumento dos preços e pela diversificação de produtos, como ovos com biscoitos e recheios, que ajudam a reduzir custos e atrair diferentes públicos. Em 2024, o setor já havia registrado um crescimento de 17% na produção em relação a 2023.



