Fazenda com produção de milho, grão destinado à exportação. (Foto Divulgação).


Projeção da Fundação Getúlio Vargas revela que que a alta em janeiro de 0,9% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) – considerada a prévia do PIB – reforça a expectativa de economia forte no primeiro trimestre.


Segundo a FGV, em 12 meses, o acumulado é de 3,8%. A projeção da Economia Aplicada do FGV Ibre é de uma alta de 1,5%, o Bradesco estima em 1%. O resultado reflete, principalmente, o setor agropecuário, a esperada safra recorde para este ano. Produtos como a soja e milho têm um ciclo forte no primeiro trimestre e isso aparecerá no PIB.


Juliana Trece, coordenadora do Monitor do PIB da FGV, afirma que o IBC-Br inclui outros indicadores além dos de serviços, indústria e comércio, divulgados na semana passada pelo IBGE, que indicavam desaceleração da economia. Entre eles, exemplifica, atividade imobiliária, intermediação financeira e agropecuária, claro.

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O dado forte de janeiro, no entanto, não muda a previsão de um crescimento menor neste ano.


“Vínhamos de um quarto trimestre muito ruim. E como já estamos em março e nada indica mudança na perspectiva da safra, o que deve confirmar um crescimento forte da economia neste primeiro trimestre, puxado pelo agro. Nos próximos trimestres, no entanto, a perspectiva é termos resultados próximos de zero. Por isso, nada muda no cenário de decisório do Copom., disse explica Juliana.


Apesar de considerar que o dado de janeiro surpreendeu em sua intensidade, José Ronaldo Souza Jr., professor de economia do Ibmec-RJ, também não vê mudança na perspectiva de um ano de crescimento “significativamente” menor. Para além do efeito do ciclo de alta da taxa de juros, que esta semana chegará aos 14,25%, o economista aponta como uma das questões para a redução do ritmo as limitações da capacidade produtiva do país.


“A perspectiva para 2025 é de um crescimento significativamente menor do que teve nos anos anteriores, porque se ocupou bastante a capacidade produtiva e não há espaço para grande expansão. Obviamente, o agro tem um impacto muito grande, mas será um impacto maior agora no início do ano. No segundo semestre, a projeção é de uma economia mais fraca”, disse.