Para Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3, após seis elevações consecutivas do Índice Bovespa, é natural uma queda. “Tem alta forte no mês até agora, já sobe 7,74%. Um aumento da Selic já era esperado. E o indicador está nessa zona de 132 mil pontos, é uma linha de resistência. Geralmente fica batendo de um lado para o outro. Se romper, pode andar mais. Mas é natural corrigir”, avalia.
“Esses movimentos têm raízes nas decisões. Inicialmente, o mercado entendeu o comunicado do Fed Federal Reserve , o banco central dos Estados Unidos como mais dovish ontem, mas depois foi digerindo e entendeu que não necessariamente é tão dovish leve assim”, pontua Carla Argenta, economista da CM Capital, Carla Argenta. Desta forma, os juros e o dólar avançam em sintonia com o exterior.
Carla Argenta explica que os mercados esperavam que o Fed trouxessem avaliação sobre os possíveis efeitos deletérios da política tarifária do governo dos EUA. Como não trouxe isso, o mercado leu o comunicado como mais leve. No entanto, acrescenta a economista da CM, as incertezas quanto aos impactos dessa política estão no radar.
Na quarta, antes do Comitê de Política Monetária (Copom), o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deixou o juro básico inalterado entre 4,25% e 4,50%. Chamou a atenção o fato de o presidente do Fed, Jerome Powell, ter voltado a usar o termo “transitório” para se referir ao aumento das expectativas da inflação nos Estados Unidos por conta das tarifas de Donald Trump.
Já em relação ao Copom, a taxa Selic foi elevada de 13,25% para 14,25% ao ano de forma unânime, em linha com a orientação futura, o chamado forward guidance. Contudo, o Banco Central indicou redução no ritmo de alta à frente.
Para Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria, o texto começou a preparar terreno para o final do ciclo e sinalizou um ritmo menor de aperto em maio, algo natural diante do estágio avançado do ajuste. “No entanto, deu pouca ênfase aos sinais de esfriamento da atividade e ao recuo do dólar, além de enfatizar o quadro inflacionário adverso”, avalia o sócio da consultoria em nota.
Conforme a economista-chefe da Galapagos Capital, Tatiana Pinheiro, a decisão reforça a continuidade do ciclo de aperto monetário e mantém sua projeção de um aumento de 0,75 ponto porcentual da Selic no Copom em maio, levando a Selic para 15%.
Ainda segundo Tatiana, o comunicado do BC transmite uma mensagem prudente, reconhecendo a complexidade do cenário internacional, desancoragem adicional das expectativas de inflação, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho.
Ao programa Bom Dia, Ministro, da EBC, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a proposta do governo para o consignado privado é uma resposta aos juros altos, frisando que a fixação da Selic cabe ao Banco Central independente.
Hoje, fica no foco a sessão conjunta convocada pelo Congresso Nacional para a votação do Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2025.
Ontem, o Ibovespa fechou com alta de 0,79%, aos 132.508,45 pontos. Foi a primeira vez que encerrou nessa marca desde outubro.
“Há espaço para seguir em alta pelo fluxo de estrangeiro, mas certamente existe temor com déficit fiscal que pode afetar o ingresso de recursos”, diz Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil.
Às 11h11, o Ibovespa caía 0,18%, aos 132.712,52, na mínima em 132.270,76 pontos, ante máxima em 132.712,52 pontos, em alta de 0,15%.
Vale (-0,09%) e da Petrobrás (PN: -0,17%; ON: 0,13%), enquanto o minério fechou com queda de 0,46% hoje em Dalian e o petróleo subia en torno de 1,00%.


