Unidade da Toyota no interior de São Paulo, uma das mais importantes montadoras instaladas no país. (Foto Divulgação)


A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotivos) divulgou nesta terça-feira (8) que o primeiro trimestre de 2025 registrou crescimento em todos os indicadores, mas, o mês de março “foi marcado por recuo na produção e nas exportações de veículos”

Segundo nota da Anfavea, “o recorte isolado dos índices do primeiro trimestre apontam para uma boa recuperação do setor automotivo brasileiro, sobretudo quando comparado ao fraco início de 2024. Porém, os dados apresentados em março mostram uma desaceleração na produção e nas exportações, enquanto os emplacamentos subiram às custas de vendas diretas e modelos importados”

De acordo com a associação, “o ritmo produtivo em março, com 190 mil unidades, apresentou queda de 12,6% em relação a fevereiro, principalmente nas fábricas de automóveis e comerciais leves, com ajuste no nível de estoque da ordem de 8 mil veículos e redução das exportações”.

Continua depois da publicidade

Segundo a Anfavea, “foi o pior março desde 2022”. De acordo com a associação, “no acumulado do trimestre, 583 mil unidades deixaram as linhas de montagem, 8,3% a mais que no mesmo período do ano passado, melhor resultado desde 2021”.

“Mesmo com um dia útil a menos que fevereiro, por conta do carnaval, março teve novo crescimento nas vendas, com média diária de 10,3 mil unidades, 11,3% a mais que no mês anterior. No ano, a média diária de emplacamentos é 7,5% superior à do primeiro trimestre de 2024”, observa a Anfavea na nota à imprensa.

De acordo com a Anfavea, boa parte dessa alta se deu em função de modelos importados, que representaram 61% do aumento das vendas no primeiro trimestre. “Das 37,2 unidades vendidas a mais em relação aos primeiros três meses de 2024, 22,6 mil vieram de fora do país, sobretudo da Argentina e da China”.

O total de vendas em março foi de 195,5 mil unidades, alta de 5,7% sobre fevereiro. O volume acumulado no trimestre é de 552 mil autoveículos, 7,2% a mais que no ano passado. “Mas as vendas diretas, em especial de locadoras, tiveram alta de 14 pontos percentuais a mais que o varejo”, afirma a Anfavea.

EXPORTAÇÃO PARA ARGENTINA

Impactadas positivamente pelo crescimento de 120% dos embarques para a Argentina, as exportações brasileiras subiram 40,6% no trimestre, apesar da queda de 19% em março, na comparação com o mês anterior.

“A questão é saber se essa queda no último mês foi sazonal, ou se indica alguma tendência. Por enquanto, este é o melhor primeiro trimestre desde 2018 para as exportações.

RISCOS/INVESTIMENTOS

Durante a coletiva de imprensa, o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, falou da preocupação com o atraso na divulgação dos decretos que regulamentam o Programa MOVER, do esgotamento dos recursos para P&D e da não recomposição imediata do imposto de importação de 35% para eletrificados, “fatores que começam a impactar negativamente os investimentos dos fabricantes de veículos”.

Outra ameaça, para as montadoras vinculadas à Anfavea, é um pedido de empresas chinesas ao governo federal para redução de impostos para produção local em CKD e SKD, “o que seria altamente danoso aos fabricantes plenos nacionais, aos empregos e aos investimentos de toda a cadeia automotiva brasileira”.

O Programa Mover foca incentivo aos projetos de PD&I em toda a cadeia do setor, com benefícios em alíquota de IPI diferenciada para veículos sustentáveis, geração de crédito financeiro em função do investimento em inovação e redução do Imposto de Importação para autopeças sem similar nacional.

“Esses impasses podem comprometer parte dos investimentos anunciados, sobretudo num momento de grande tensão global, com as tarifas impostas pelo governo norte-americano impactando negativamente toda a geopolítica econômica global, inclusive o setor automotvo nacional e sua longa cadeia de suprimentos”, afirmou Márcio de Lima Leite.