O preço do petróleo desaba no mercado após retaliação da China contra medidas dos EUA.


Os contratos futuros de petróleo enfrentaram uma forte queda na manhã desta quarta-feira, 9 de abril, após o anúncio da China de que retaliará os Estados Unidos com uma sobretaxa de 84% sobre as importações americanas. A decisão é uma resposta à medida da Casa Branca, que impôs uma tarifa total de 104% sobre os produtos chineses.

Por volta das 9h05, os contratos futuros do petróleo tipo WTI despencavam 6,43% na Bolsa de Nova York, sendo negociados a 55,75 dólares. O petróleo tipo Brent, referência para a Petrobras, também registrava queda acentuada de 6,27%, com o barril cotado a 58,88 dólares.

O movimento reflete o temor crescente no mercado de que a escalada da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo possa levar à recessão global, reduzindo a demanda por petróleo. Esse cenário já afeta os papéis da Petrobras.

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Os American Depositary Receipts (ADRs) da companhia negociados em Nova York apresentam quedas significativas na pré-abertura de Wall Street. Os ADRs das ações ordinárias (PBR) recuavam 3,14%, cotados a 11,10 dólares, enquanto os ADRs das preferenciais (PBRa) caíam 3,10%, para 10,33 dólares. Na terça-feira, ambos os papéis já haviam registrado quedas de 4,58% e 4,74%, respectivamente, durante o pregão normal.

A pressão sobre a estatal é um prenúncio de mais perdas no Ibovespa, o principal índice da B3. O comportamento do iShares MSCI Brazil ETF (EWZ), negociado em Nova York e que reflete as principais ações brasileiras, indica essa tendência. Na manhã desta quarta-feira, o EWZ recuava 1,92%, cotado a 22,99 dólares, após fechar em baixa de 2,13% na sessão anterior.

A guerra comercial atingiu um novo patamar quando, a partir de hoje, entrou em vigor a sobretaxa de 104% aplicada pelos Estados Unidos às importações da China. A medida foi uma resposta do presidente Donald Trump à tarifa de 34% imposta por Pequim sobre produtos americanos.

Trump havia alertado a China para recuar até as 13h de terça-feira, 8 de abril, mas Pequim manteve sua posição. “Estamos prontos para seguir respondendo às ações unilaterais dos EUA”, declarou um porta-voz do governo chinês. Com isso, o prazo dado por Trump expirou e as tarifas de 104% foram aplicadas.

Nesta manhã, o contra-ataque chinês foi anunciado, com a aplicação de uma tarifa de 84% sobre mercadorias americanas. A escalada da disputa comercial também impacta as bolsas europeias e os índices futuros de Nova York, que registram baixas significativas.

O mercado segue atento aos desdobramentos dessa disputa comercial, que já causa volatilidade nos preços das commodities e nos ativos financeiros globais. As próximas semanas serão cruciais para determinar os efeitos dessa crise nas economias mundiais.

Ministro Silveira pressiona baixa nos combustíveis

Mas presidente da Petrobras diz que não vai mexer em nada por enquanto

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que acredita na possibilidade de uma redução nos preços dos combustíveis caso seja mantido a atual cotação internacional do barril de petróleo do tipo brent. A fala foi feita durante entrevista coletiva.


“Considerando o preço do brent dessa semana, nós temos um preço que tem todas as condições de ser reduzidos”, disse Silveira. “Agora, é importante dizer que o preço que que está refletido essa semana no brent leva muito em consideração as loucuras cometidas pelo presidente dos Estados Unidos”, seguiu.


Os barris do tipo Brent são uma referência de cotação internacional do preço do petróleo, utilizado também em mercados europeus e asiáticos. Há ainda o petróleo WIT, negociado como referência nos Estados Unidos.


Silveira afirmou que seria necessário uma estabilização na queda para reduzir os preços. “Com a queda do brent, se ela se manter. Volto a dizer, é importante que haja uma estabilidade nessa queda”, disse. “A nossa defesa será ser sempre o menor preço pro consumidor na bomba de gasolina, de diesel, do gás natural. Nós vamos enfrentar seja quais foram os interesses para implementar.”

Mas a Petrobras não deve alterar preços de combustíveis cobrados na venda a distribuidoras enquanto o cenário estiver turbulento, com incertezas geradas pelo tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos mercados globais, afirmou a presidente da petroleira, Magda Chambriard à agência Reuters.


“Não devemos fazer nada agora, enquanto o cenário geopolítico estiver com essa ansiedade e turbulência”, disse ela, por telefone, desde Nova York, onde está apresentando planos de investimentos da empresa a investidores.


A executiva frisou ainda que a companhia não vai internalizar o nervosismo do cenário internacional para o mercado brasileiro. “Não vamos internalizar a ansiedade inerente ao atual cenário geopolítico”, destacou ela.


Por hipótese, ela disse que a companhia poderia avaliar no curto prazo alguma mudança apenas se as duas principais variáveis da formação de preços dos combustíveis, o petróleo e o câmbio, tivessem quedas bruscas.