Sede da Bolsa de Valores de Tóquio: a economia real sob tensão. (Reprodução TV)


Os índices futuros dos EUA nas bolsas amanheceram em baixa nesta sexta-feira (11), refletindo as tensões crescentes na guerra comercial entre China e Estados Unidos.
A China anunciou que está aumentando as tarifas sobre importações de produtos americanos de 84% para 125%, conforme comunicado divulgado pela Comissão de Tarifas Aduaneiras do Conselho de Estado.

A medida chinesa é uma resposta às tarifas impostas pelo presidente americano Donald Trump, que na quinta-feira (10) elevou os impostos sobre produtos chineses, somando um total de 145%, segundo a Casa Branca. As negociações entre os dois países seguem travadas, e as esperanças de um acordo comercial já começaram a desaparecer.

“A imposição pelos EUA de tarifas anormalmente altas à China viola gravemente as regras do comércio internacional e econômico, sendo um ato unilateral de intimidação e coerção,” declarou o Ministério das Finanças da China em comunicado. Para tentar pressionar os EUA, a China também apresentou uma nova queixa contra o país à Organização Mundial do Comércio (OMC).

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Impacto nos mercados globais

Os mercados asiáticos fecharam de forma mista nesta sexta. Enquanto o índice Shanghai SE subiu (+0,45%), o Nikkei teve forte queda (-2,96%). Em Hong Kong, o Hang Seng registrou alta (+1,13%), enquanto na Coreia do Sul o Kospi recuou (-0,50%). Na Austrália, o ASX 200 encerrou o dia com queda de (-0,82%).

Os mercados europeus também operam em baixa. Na Alemanha, o DAX caiu (-0,80%). O FTSE MIB, na Itália, recuou (-1,02%), enquanto o CAC 40, na França, teve queda de (-0,60%). No Reino Unido, o FTSE 100 caiu levemente (-0,06%).

As tarifas recíprocas de Trump tiveram um impacto direto nas bolsas internacionais, com investidores preocupados sobre o efeito prolongado da guerra comercial no crescimento econômico global. Trump havia anunciado uma redução temporária nas tarifas de outros países para 10% por 90 dias, mas manteve as tarifas elevadas sobre a China, intensificando as tensões.

Commodities e Bitcoin

No setor de commodities, os preços do petróleo subiram levemente nesta sexta, mas o mercado segue pressionado pela possibilidade de uma desaceleração econômica. O Petróleo WTI está cotado a US$ 60,24 (+0,25%), e o Brent a US$ 63,46 (+0,21%).

Por outro lado, o minério de ferro na China encerrou a semana no vermelho, com perspectivas de demanda afetadas pela guerra comercial. O minério foi negociado a 708,00 iuanes (+0,71%).

Enquanto isso, o Bitcoin segue em alta, com valorização de +2,72%. A criptomoeda está sendo negociada a US$ 81.685,49, destacando-se como uma alternativa em meio às turbulências nos mercados globais.

O que vem pela frente?

Os investidores aguardam, nesta sexta-feira, uma série de balanços financeiros de bancos americanos, como Morgan Stanley, Wells Fargo, JPMorgan Chase e BlackRock. Além disso, outros indicadores importantes serão divulgados, como o índice de preços ao produtor (PPI) de março e a primeira leitura do sentimento do consumidor de abril, pela Universidade de Michigan.

A guerra comercial entre China e EUA promete trazer novos desdobramentos nos próximos dias, e o clima de aversão ao risco está longe de acabar. Economistas alertam que, caso um acordo não seja alcançado em breve, os impactos podem ser severos tanto para as economias das duas potências quanto para o mercado global.