Marcos Clementino*
“Quem chega primeiro bebe água limpa” — quando dá certo. Quando não, vira boi de piranha, para que o restante da boiada, menos corajosa, atravesse o rio em segurança.
Aí está uma forma simples de olhar para os dois lados da moeda de ser pioneiro.
Mas eu quero ir além…
Talvez a busca pelo pioneirismo seja, em essência, uma alternativa mais saudável num mundo em que “a comparação é o ladrão da alegria” — frase frequentemente atribuída ao presidente norte-americano Theodore Roosevelt, embora sua origem exata permaneça incerta.
Hoje, mais do que em qualquer outro momento da história, todos parecem querer ser melhores que os outros: com o melhor shape, mais seguidores, mais faturamento, mais troféus… mais tudo. Uma competição sem fim, sem sentido, sem destino. O que sabemos, no entanto, é que essa corrida já devasta a sociedade com adoecimentos mentais e um crescente número de suicídios.
E quem mais sofre são os jovens. Nos últimos dez anos, os atendimentos relacionados a transtornos de ansiedade no SUS aumentaram quase 2.500% entre crianças de 10 a 14 anos, e mais de 3.300% entre adolescentes de 15 a 19 anos, de acordo com levantamento do Ministério da Saúde. Especialistas apontam que fatores como a competitividade e a superexposição nas redes sociais têm contribuído significativamente para esse aumento alarmante.
A exibição constante de momentos perfeitos e conquistas irreais gera uma distorção perigosa da realidade. Para muitos jovens, o “sucesso” dos outros se transforma em uma pressão interna para alcançar padrões muitas vezes inatingíveis.
E aí entra a beleza de ser pioneiro: você não compete ao longo do caminho e, quando conquista, ainda sente o sabor da vitória — como aqueles que amam competir.
Parece confuso? Eu explico…
Se você tem sucesso, as pessoas só vão saber depois que você já conquistou. Se você falhar, ninguém saberá — afinal, era uma ideia pioneira, só existia na sua mente. E, por ser única, ninguém estava competindo com você.
Depois, sim, virão os que tentarão te superar. E podem até conseguir. Mas nenhum conseguirá ser o primeiro, como você foi.
Neil Armstrong, o primeiro ser humano a pisar na Lua em 20 de julho de 1969. Certamente surgiram astronautas melhores depois dele. Mas será que ele sentia a necessidade de provar algo para alguém?
A lâmpada evoluiu. Veio o LED, veio a automação. Mas foi Thomas Edison quem a inventou.
Quem vem depois, que lute!
Assim é a vida — nos pequenos e grandes feitos. Ser pioneiro é criar uma identidade única, abrir porteiras para que outros passem, deixar um legado para quem vem depois.
Massagear o próprio ego é gostoso — admita!
Mas não saber controlá-lo é doentio. Para você, e para todos ao redor.
Querer ser melhor a cada dia é saudável. Competir também.
Deixa de ser, no entanto, quando essa necessidade abre feridas incuráveis na mente — e, principalmente, no coração.
Mágoas, rancores. O tempo passa…
Vêm os remédios, as sessões de terapia.
Quando não morremos por dentro, envelhecemos rabugentos.
Com resquícios de questões mal resolvidas.
O comportamento do outro, que antes criticávamos, agora repetimos. Uma forma de mostrar o quanto o sucesso alheio sempre nos atingiu — e, talvez, ainda atinja. A diferença é que agora fingimos que não.
Finalizo esse texto com a colaboração da minha colega Vânia Barbosa — nascida em Barra do Corda, no Maranhão. Guerreira desde sempre, desbravou a loucura de São Paulo e transformou sua realidade com a venda de planos de seguro de vida high ticket para médicos e profissionais do setor público, em sua maioria.
A Vaninha, amante de vinhos e apaixonada por filosofia e estoicismo, compartilhou comigo uma citação do filósofo estadunidense Henry David Thoreau:
“Se um homem marcha com um passo diferente do dos seus companheiros, é porque ouve outro tambor.”
E eu acrescento: se esse tambor for do extraordinário, você se transformará numa máquina blindada e imparável.
Faça o seu próprio nome.
Não queira ser apenas a pessoa com o hype da vez — porque alimentar isso cansa.
Há quem tenha o dom natural de brilhar o tempo todo. Outros não. E tá tudo bem!
Cada um com seu propósito.
Existe paz em ser o primeiro a tentar, sem o fardo de superar ninguém. O desafio é ser você mesmo. Quem abre caminhos não carrega o peso da comparação, apenas o silêncio da coragem.
Seja pioneiro de si.
Encontre o que te faz feliz.
E sossegue o facho.
*Marcos Clementino é jornalista e ex-correspondente de TV na Europa. Foi finalista do renomado prêmio Walkley Awards de melhor cobertura de jornalismo investigativo em New South Wales, na Austrália, em 2012. Em 2017, recebeu o Troféu Periferia, considerado o “Óscar da Quebrada”, idealizado pela ORPAS – Obras Recreativas, Profissionais, Artísticas e Sociais, em reconhecimento ao seu trabalho e contribuição à comunidade. Ainda em 2017, seu legado foi eternizado no bairro de origem com um mural de grafite, o Feras do Campo Limpo, assinado pelo artista plástico Gerri Allves, retratando seu rosto na principal via de acesso à região.
É autor de três livros: Paris, Sexta-Feira 13, Olho Vivo, Faro Fino! e O Tubarão da Berrini, obras que compartilham suas experiências pessoais, desafios e reflexões sobre a sociedade, além de trazerem elementos do seu percurso profissional.
Além de sua trajetória jornalística, Marcos Clementino é sócio-diretor da MMC Benefits, acionista da Eats For You e franqueado da Prudential do Brasil, consolidando-se também como empresário e especialista no mercado de seguros.




