Loja da rede de supermercados St. Marche, que entrou com pedido de recuperação extrajudicial. (Foto Divulgação)


O Grupo St Marche, uma rede de supermercados voltada ao público de alta renda, apresentou um pedido de homologação de reestruturação extrajudicial ao Tribunal de Justiça de São Paulo na quarta-feira, dia 16 de abril. O movimento visa reorganizar os passivos da companhia, que atualmente somam cerca de R$ 528 milhões.

Plano de Reestruturação

Segundo o documento protocolado, o plano de reestruturação já conta com a aprovação de um credor que detém mais de 50% dos créditos abrangidos.

Continua depois da publicidade

A empresa declarou que esta solução foi identificada como a mais viável para efetivar a reorganização de suas operações, sem prejudicar outros credores, funcionários e fornecedores.

Histórico de dificuldades

A situação financeira delicada do St Marche se tornou pública em fevereiro, quando a rede buscou na Justiça paulista a suspensão temporária do pagamento de dívidas e proteção contra cobranças de credores. Esse pedido, segundo a empresa, tinha o objetivo de prevenir uma possível recuperação judicial.

Causas do problema

Entre os motivos que levaram às dificuldades financeiras, o St Marche destacou o fracasso em concretizar uma abertura de capital planejada em 2021. A empresa alegou que alterações no cenário macroeconômico acabaram por inviabilizar o projeto. Além disso, os efeitos da fraude contábil da Americanas, em 2023, limitaram o crédito disponível para o setor, impactando diretamente o grupo.

Estrutura e Controle

O St Marche pertence à L Catterton, uma companhia de private equity com participação do bilionário francês Bernard Arnault, controlador do grupo de luxo LVMH. Desde que recebeu investimento em 2016, o St Marche ampliou sua presença no mercado paulista, operando atualmente cerca de 30 lojas no estado.

Impactos e Desafios

O pedido de recuperação extrajudicial pode ter implicações significativas na operação do grupo e na situação de seus colaboradores. A estratégia busca evitar a recuperação judicial, que costuma trazer consequências mais severas para a reputação e funcionamento das empresas.

Cabe agora ao Tribunal de Justiça de São Paulo a análise do pedido e a decisão quanto à aprovação ou rejeição do plano. Caso seja homologado, a empresa poderá implementar as medidas acordadas e dar continuidade às suas atividades.