Sede do Tribunal de Justiça de São Paulo, localizado na Sé, centro histórico da capital, (foto: TJ/SP)


Os servidores do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) estão se mobilizando para uma greve marcada para o dia 14 de maio, em protesto contra o reajuste salarial de apenas 5%. A categoria reivindica uma reposição de 30%, alegando que há uma defasagem salarial acumulada desde 2002. A insatisfação também se estende ao que chamam de “desnível” entre os salários dos servidores e os dos magistrados, que incluem benefícios considerados excessivos.

A decisão pela greve foi tomada após uma paralisação realizada em 11 de abril, que reuniu cerca de 600 servidores. Segundo José Gozze, presidente da Associação dos Servidores do TJ, a categoria enfrenta uma situação de desigualdade que vai além dos altos salários dos juízes e desembargadores. “Há anos que estamos com essa defasagem. Trabalhamos por 12 meses, mas ganhamos por nove”. Ele também criticou o desnível entre os benefícios: “Não ficamos desconfortáveis por causa dos altos salários, mas em razão da reposição que eles têm e dos benefícios.”

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Dados recentes mostram que, entre janeiro e março de 2025, os magistrados paulistas receberam mais de R$ 689,4 milhões além dos salários regulares. Juízes novatos do TJ-SP já ganham, em média, mais do que ministros do Supremo Tribunal Federal, cujo salário é de R$ 46.366,19. Em alguns casos, magistrados de São Paulo chegaram a receber valores líquidos superiores a R$ 200 mil em um único mês, impulsionados por pagamentos retroativos relacionados ao Adicional por Tempo de Serviço, conhecido como quinquênio.

Para tentar amenizar a insatisfação, o TJ-SP anunciou aumentos em benefícios como auxílio-alimentação, que passou de R$ 65 para R$ 80 por dia, e auxílio-creche, que subiu de R$ 700 para R$ 805. No entanto, essas medidas foram consideradas insuficientes pelos servidores, que apontam a necessidade de uma negociação mais ampla. Fernanda Copelli, secretária-geral da Associação dos Assistentes Sociais e Psicólogos do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, destacou: “Precisamos parar de normalizar esta injustiça que acontece na casa da Justiça, essa diferença de tratamento. Sabemos que é uma questão de classe, que o orçamento está em disputa.”

A greve pode impactar o funcionamento do tribunal, com paralisação de ações cíveis, enquanto questões urgentes, como mandados de prisão e alvarás de soltura, continuarão sendo atendidas. A mobilização também busca chamar atenção para o que os servidores consideram uma injustiça dentro da própria “casa da Justiça”.
Com 40 mil servidores, a expectativa é de que a greve tenha adesão significativa, pressionando o tribunal a reconsiderar suas políticas de remuneração e benefícios.