A diretora-executiva da Cooperativa de Araguari, Elaine Cristina Cardoso, durante entrevista ao BC TV. (Reprodução)


A cafeicultura do Cerrado Mineiro vem se destacando não apenas pela qualidade dos grãos, mas também pela gestão estratégica e sustentabilidade na produção. Neste ano, o Brasil começou a colher sua nova safra de café.

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) informou que safra brasileira de 2025 tem uma estimativa de 55,7 milhões de sacas de 60 kg, representando um crescimento de 2,7% em relação à safra anterior.

Minas Gerais é o maior produtor de café do Brasil atualmente. O Triângulo Mineiro é a região do Café do Cerrado.

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Em entrevista aos jornalistas Germano Oliveira e Camila Srougi, do BC TV, nesta sexta-feira (30), a diretora-executiva da Cooperativa de Cafeicultores do Cerrado de Araguari e Região, Elaine Cristina Barbosa Cardoso, ressaltou o impacto da organização coletiva para o fortalecimento da marca do café e para a viabilidade econômica dos produtores.

O Cerrado Mineiro é a primeira região do mundo a obter uma Denominação de Origem (DO) para café, certificação que garante a rastreabilidade do produto desde a lavoura até o consumidor final.

Composta por 55 municípios, a região tem apostado na gestão estratégica para agregar valor ao café, permitindo que os produtores conquistem mercados internacionais e elevem a competitividade do setor.

De acordo com Cardoso, ainda há uma percepção equivocada de que o agronegócio se resume à produção. “No entanto, a gestão eficiente tem sido um diferencial competitivo para os cafeicultores do Cerrado. A cooperativa trabalha com dois eixos fundamentais: o social e o ambiental, garantindo que os processos produtivos sigam princípios sustentáveis e responsáveis”, disse ela.

“A gente está fazendo uma transição para produtos que impactem menos o meio ambiente, buscando reduzir a emissão de gases e usar insumos que causem menor agressão ao solo e às plantações”, explicou Cardoso.

Segundo a diretora-executiva, o investimento na gestão sustentável e em práticas coletivas fortalece os produtores, possibilitando uma comercialização mais vantajosa.

A força da produção coletiva

Uma das principais vantagens do modelo cooperativista é a organização coletiva, disse a executiva. “Diferente da produção isolada, que pode enfrentar desafios na comercialização e certificação, o trabalho em conjunto permite que os produtores obtenham melhores condições de venda e posicionamento de marca”.

“O café do Cerrado Mineiro é uma marca institucional que valoriza o produto e assegura sua origem até o consumidor final, garantindo segurança alimentar e sustentabilidade”, afirmou a diretora da cooperativa.

A qualidade do café da região é amplamente reconhecida. “A altitude e o clima característicos do Cerrado Mineiro contribuem para um perfil sensorial único, com notas de chocolate e caramelo, o que atrai apreciadores e mercados especializados”, declarou ela.

Comparação com outras regiões produtoras

Questionada sobre a qualidade do café do Cerrado em relação a outras regiões produtoras do Brasil, como São Paulo, Espírito Santo e Paraná, Cardoso destacou que não existe um “café ruim”, apenas diferentes perfis sensoriais que atendem a gostos variados.

“O café do paladar da minha avó de 96 anos é diferente do meu. E a gente respeita muito isso. Todas as regiões têm investido cada vez mais na qualidade, e cada uma possui suas características próprias”, ponderou.

Ela reforçou que o Cerrado Mineiro tem um diferencial pela altitude e pelo “terroir”, resultando em cafés que agradam determinados públicos por suas notas aromáticas distintas.

Com uma produção cada vez mais focada em gestão eficiente, inovação e sustentabilidade, os cafeicultores do Cerrado Mineiro continuam expandindo sua presença no mercado nacional e internacional. A abordagem cooperativista, segundo a diretora-executiva da cooperativa, tem sido fundamental para garantir competitividade, agregação de valor e reconhecimento da região como um polo de excelência na cafeicultura.

“À medida que a demanda global por café de qualidade cresce, os produtores do Cerrado Mineiro seguem investindo em tecnologia e práticas sustentáveis para consolidar a posição da região no cenário mundial”, acrescentou.

Para assistir a entrevista completa com Elaine Cristina Barbosa Cardoso, acesse o link aqui: